sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Parà tèn doxán


Estava empenhado trabalhando no meu canto. Veio um colega de trabalho me mostrar umas fotos da ultima edição da revista Trip. A princípio só vi a foto em si. Um senhora de 72 anos, Vera Barreto,foi motivo de muitas risadas entre meus colegas de trabalho. Realizou um ensaio digamos sensual em plena idade. Uma atitude de coragem pra mim. Acredito que ali esperavam a minha aprovação do rídiculo daquela senhora. Uma demonstração de preconceito sem dó nem piedade.Como fênix, os preconceitos renascem das cinzas. São como a gripe: sutis, podem ser combatidos, porém difíceis de ser erradicados...fiquei perplexo com atitude de todos ali. Fico me questionando como somos cruéis em relação ao diferente.

A mercantilização da aparência humana descobriu o elixir da eterna juventude. Fortunas são movimentadas para prolongar a nossa juventude ou, pelo menos, a ilusão de que ela é perene: cirurgias plásticas, academias de malhação, pílulas energéticas, bebidas revitalizadoras, alimentos dietéticos etc. Assim, a velhice ganha, aos poucos, o estigma da vergonha, como se as rugas fossem cicatrizes socialmente inadmissíveis, os cabelos brancos, sinais de degradação, a aposentadoria, ociosidade vergonhosa, as limitações próprias da idade, incompetência. Neste ensaio o que eu vi foi a realidade tal como ela é. Vi o tanto que é belo em aceitar os traços da nossa natureza. Coragem,ousadia e uma mulher que continua a frente do seu tempo. Espero poder comprar essa revista para publicar algo a respeito...



terça-feira, 28 de outubro de 2008

É tarde,me perdoe




Eu ganhei uma tarde toda e não sei o que fazer com ela.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mario, que me prendeu ao armário


Um dia quente em Belo Horizonte. Cheguei em casa, deitei na cama e estatico vi um livro do Quintana na estante...me bateu saudade de um dos primeiros poemas dele que me despertou. Não posso deixar de registrar o que acredito ser o essencial da vida humana:



Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...


Mário Quintana

O tempo da tragédia.



Estávamos atravessando o sinal e as luzes entraram para o vermelho. Mesmo assim seguimos e junto veio o barulho da frenagem...o barulho precedia uma tragédia. A moto que vinha atrás do nosso carro, já parada no sinal, foi atingida pelo carro de trás. Uma tragédia e o seu tempo. Quatro segundos foi a quantidade de tempo para aquela tragédia fatal. Quatro segundos para aquele homem...Pensei: e se ele tivesse, ao sair de casa, voltado para pegar um documento? Ou mesmo, se um amigo o parasse para lhe perguntar algo? Não teve tempo. Nessa hora o tempo era mesmo aquela tragédia. O tempo e as coisas, fugazes e transitórias escolhas. Mas temos a sensação de que nossas escolhas não são inteiramente livres. As pessoas fazem seu tempo; onde seu desejo mais latente é passar o tempo e matá-lo.O cara do carro de trás com certeza estava distraído no tempo. Acredito que possa ser o tempo que foi atender o celular. O objeto deve ter caído da mão e ele abaixou para pegá-lo. Acredito que possa ser sua mãe, namorada ou o amigo ligando para saber o porque ele ainda não havia chegado. Ali o tempo o engolia. Ali o tempo fez o seu xeque mate! Vivemos no tempo. Não se perde nem se ganha. E morremos no tempo. Naquele cruzamento não era a nossa hora. Nosso tempo era diferente rodávamos a cidade em busca de um lugar sossegado e sem muito barulho.

Assim a noite terminou com muito prazer e dor em tempos bem diferentes. A vida não tem mesmo sentido. Sabemos que vamos todos morrer. Uma questão de tempo. Tempo pra aproveitar o prazer de atravessar os dias de forma mais alegre e desassombrada. Termino com um texto de um autor que desconheço, mas é muito comum:

...”As melhores histórias jamais serão escritas... Assim como melhores momentos jamais retornarão... Por isso, quando estiveres feliz, tire o máximo de proveito desta felicidade... Pois o tempo arrastará tudo e só ficarão as lembranças! Que cada momento é único, e que o tempo não volta, todo mundo sabe... Mas há na vida aqueles momentos que além de únicos são indescritíveis, incomparáveis”.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!


Dizem que todo mineiro é bobo e disso tenho orgulho.Não quero deixar de ser bobo. De fingir que não entendo nada do que passa ao meu redor. Fazer-me de bobo é uma fuga para escapar da pretensão de alguns em querer (com seu argumento) impor conceitos e regras. Ser bobo é ser diferente a um babaca. Babaca é aquele que fala de um assunto que não domina. A gente logo saca que ele navega pela superficialidade da questão. Assim me faço, bobo. Essa necessidade de justificar tudo, de explicar tudo e de buscar teorizar conceitos, me provoca preguiça. O mundo nem é tão complicado assim, as pessoas dificultam tudo. Ontem uma amiga me ligou para desabafar. O seu companheiro não quer mais saber dela. E ponto. Buscava em mim naquele momento um porto seguro. Que eu falasse as palavras de efeito e me juntasse ao partido dela na chapa "ele é um cachorro", ingrato! Convidei-a para vir à minha casa. Simplesmente fiquei sentado a sua frente e a deixei falar. Não fiz colocações em hora alguma e depois de tudo que somente ela desabafou, me agradeceu pela ajuda. Sim eu a ajudei estando literalmente todo ouvido para ela.Para o caso dela. Para as aflições de amor que sofria. Dei água para que ela bebesse, dividimos uma maçã...E saiu feliz por desabafar dizendo que essa dor iria passar. Mais tarde, sai com um amigo e fomos a um café. O assunto pipocava de forma leve e boa. Falamos da noite, de música e nenhuma cobrança um com o outro e para os outros. As pessoas podem fazer o que bem querem. Em busca da tal felicidade vivemos um conflito de paralisar todos os nossos projetos e nos perder nessa busca. Sartre tem razão. Nesse lenga-lenga do discurso elaborado às vezes me calo. Pra tentar sair do inferno de viver em sociedade. Minha amiga vai sair dessa. O tempo, que é a felicidade maior pra mim, vai curá-la. Não dá pra levar tudo isso muito a sério. De boba eu sei que ela não tem nada.


Aviso: não confundir bobos com burros.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Minha t.v sempre fora do ar...


De manhã e sem riso. Estou a caminho do trabalho...antes parei na padaria para tomar um café. Cansado estou de muita coisa nesta manhã. Me veio a vontade de fugir de tudo que o povo anda comentando ultimamente,de ir sozinho para um lugar distante: sem jornal,sem internet e claro sem t.v. De deixar o inesperado me fazer uma visita,o novo entrar pelos meus olhos. Estamos em época de eleições e o que me parece é que todo mundo não sabe disso. Um excesso na cobertura de uma tragédia em Santo André roubou a cena ate mesmo da crise americana. Não é caso de rir por isso estou sem riso...mas dá vontade. O cara matou uma jovem por uma paixão traída pela separação. Respeito a dor de todos, mas isso pra mim é muito comum. A todo instante sei que alguem mata por amor. Nem sempre a morte é trágica como foi dessa garota. Muita gente ta morta pelo mundo por conta de um amor traído. Só ainda não tinha visto algo próximo de uma novela da vida real tomando conta do país. Literalmente roubou a atenção de todos. Gerou expectativas e medo em todos. Dá até medo de se envolver apartir disso. Ninguém fala em outra coisa e o sistema precisa mudar...A mídia é que mata muita gente e quase ninguém sabe disso. De manhã e sem riso.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Não mais que...


Do nada surge.
Do tudo se perde.


De repente um olhar furtivo no meio do trânsito.
De repente não mais estamos solteiros.
De repente novos lugares.
De repente novos olhares.
De repente ele chega tarde.
De repente grita com você.
De repente sua vó morre.
De repente se bate o carro.
De repente uma dor.
De repente uma notícia.
De repente se esta grávida.
De repente a doença é grave.
De repente a escuridão.
De repente se faz análise.
A vida e seus de repentes:


Do nada surge.
Do tudo se perde.




terça-feira, 14 de outubro de 2008

"Solitáte"


Hoje como de costume,ela veio me fazer uma visita. Veio e dessa vez parecia nao querer sair. Tentei fazer de tudo para que fosse embora.Peguei o livro do Debord,ouvi charles Mingus,fui ver a vista da janela do quarto,andava pela casa.Ela falava coisas desagradáveis enquanto eu preparava o café. Entrei para o quarto e liguei para alguém, mas mesmo assim ela nao me largava. Na minha própria casa procurava um lugar para acalmar minhas aflições. Assim perdia a razão que é escrava da paixão e amiga pessoal dela.


Assim do nada ela me abraçou,me apertou forte,me fez chorar. Me colocou na cama e me fez dormir sozinho.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Quando a alma vai dar um volta...


Aconteceu comigo ontem.

Depois de um dia cheio que descrevo: uma madrugada regada a sexo,um almoço com amigos,encontros com a família (ontem foi dia das crianças) e mais tarde, uma cerveja num buteco da esquina. Em casa já cansado entrei para o banho. Foi neste instante que minha alma deu uma volta.Me peguei pensando em nada. Depois de um dia cheio me encontrei parado, estático, de braços caídos e com a água descendo pelo corpo...nada passava pela minha cabeça. Pensei que pudesse estar cego. Do nada tudo saiu da minha mente e um vazio entrou na minha existência e me tirou os movimentos por alguns segundos.

Olhando pra dentro olhando para o nada, para o vago, me deu medo. Medo de ficar assim pra sempre, sempre olhando para o que parece não existir. Um medo sem dor,poético. Deixei este estado me povoar e assim pude retirar com espiritualidade minhas inspiraçoes,percepções deste estado..."quem não sabe povoar sua solidão,também nao saberá ficar sozinho em meio a uma multidão",escreveu Baudelaire.


Sai do banho e fui direto pra cama...num quarto escuro nao tive dificuldade alguma pra dormir. Sonhei que estava preso no meu próprio sonho. Geralmente se pede pra sair deste sonho,uma luta da alma e a máteria. Eu queria exatamente ficar ali e nao me provocando nenhum espanto ou medo;voltei a realidade. Madrugada de segunda feira,tranquilo em quarto escuro.


Hoje me sinto como se tivesse perdido nas horas.Nao consigo ter um dialogo com o relógio. E ultimamente esse sentimento é constante, saio dos lugares e o tempo anda para trás.As horas parecem desfeitas.Um tempo contado."Hoje eu poderia estar em qualquer lugar, mas escolhil ficar aqui e ver o fim. E o fim, é só o lugar para onde partimos".


Toda dor ou felicidade seja o que for, tem o seu tempo.


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A vida após o parto é normal?


Tarde demais,nascemos!

Não tem como fugir das frustrações,medos e paranóias do dia a dia. Não tem como escapar do desejo,esse que bate a nossa porta a todo instante. As vezes mete o pé e entra nos bares,nas ruas,no shopping e até mesmo no trabalho. O novo amor nasce desse processo...dessa nem sempre busca. A modernidade nos trouxe o direito de escolha, mas nascer não é escolha. Basta viver.

É necessario ter humor extrair felicidade de onde so brota dificuldades. Parar de reclamar. De falar que não vai dar certo. É importante que muita coisa de errado mesmo. Meu desejo era parar de pensar por instantes. Seria um grande presente nao pensar (por instantes) nas coisas da vida...das mais simples como pagar conta a mesmo ler um livro de semiótica. Penso,logo existo. Bem vindo ao clube.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Segunda e tantas outras intenções de uma semana...





Segunda feira de muito sol e muita gente nas ruas de Belo Horizonte. Um corre corre danado é gente pra todo lado,freneticamente parecem atrasados. O mundo hoje parecia estar pra acabar
o caos engolia as pessoas e no meu rosto uma certa insatisfação de me sentir um peixe dentro dessa densa água.

domingo, 5 de outubro de 2008

Discurso da minha tristeza.




Hoje foi um daqueles dias que nao tive vontade de fazer nada. De nao ter compromisso algum com nada. A única vontade é de nao ver ninguém.E se fosse permitido queria o silêncio pleno. Uma tristeza tomou conta. Mas acredito ser uma tristeza gostosa. Tristeza é considerada uma anomalia do humor,uma doença contagiosa,que é melhor eliminar de imediato. Tristeza pega. Por isso nao quero ver ninguém. Estou completamente normal e feliz por ter essa sensibilidade. O tempo parece ser o melhor dos rémedios. A mente tenta mandar alguns estimulos. Coloquei um filme de comédia pra relaxar e nao me veio o riso. Hoje minha tristeza é permitida. Ela será coroada com o meu afastamento de tudo quanto é rotina posta e imposta lá fora.