domingo, 30 de novembro de 2008

Zim


O vermelho da minha vergonha.
O vermelho do meu edredon.
O vermelho da minha paixão.
Meu nariz,cama e sentimentos.
O vermelho extraordinário da minha madrugada.
Madrugada silênciosa...de me ver dormir.
O vermelho para a cor,para o ser.
É tanta coisa que cabe...
Nessas nuances da cor vermelha.
Ver melhor
Vermelho

Melhor ver

Cores e peles

sábado, 29 de novembro de 2008

E ai você surgiu na minha frente...


Me pego repetidamente num relance de sensações do que significa ver com os sentidos.Percebo coisas que só a pele pode ver. Outras só os olhos podem sentir. Mas para que isso aconteça é preciso estar disponível. Á qualquer momento. Em um outro lugar.Nos momentos mais que mágicos. Peles se tornam pele.

domingo, 23 de novembro de 2008

Perto do mar tudo é feliz




Eu tirei o fone do ouvido, voltando de algum lugar, de ônibus. Parei para ouvir as conversas de quem ali ia comigo a um destino. Pensei nesta questão do destino de cada um. As pessoa falando sobre politica; planejamento doméstico; baladas; e sexo. Elas falavam alto como se tivesse a necessidade de que mais pessoas ouvissem. Pois intão ouvi e senti um vazio. E por um momento minha cabeça ficou completamente vazia de tudo que pudesse ser pensado,planejado e imaginado.Senti que um vazio tomava conta do meu peito. E por um momento minha cabeça esvaneceu-se de pensamentos e ficara vazia. Vazia. Vazia de qualquer coisa que pudesse ser pensada, planejada, cantada, imaginada. Senti um terrível medo de ficar assim para sempre e não poder mais fazer parte desse "mundo". Então de repente as coisas voltaram ao normal, ou quase.Mesmo estando novamente no mundo dos pensantes, eu não vivia, apenas pensava porque era obrigado a pensar. E logo as coisas que tinha a fazer durante a semana, os trabalhos de faculdade, as contas a pagar me tomaram o cérebro e eu estava como todas as outras pessoas do ônibus: fingindo uma suposta felicidade e vivendo uma pseudo vida.Na metade do caminho, comecei a tentar lembrar quando foi realmente a última vez em que me senti realmente vivo. Sabe, aquela sensação que temos de estar vivos? Não sei, é uma mistura de felicidade, uma euforia, uma vontade de fazer as coisas todas de uma vez só e sair abraçando e beijando todo mundo. Bom, isso sem cafeína envolvida.Numa espécie de regressão consciente, voltei a infância. Devia ter uns quatro ou cinco anos, estava na praia, era fim de tarde. Mas não um fim de tarde qualquer. Era um fim de tarde que me parecia tão vivo, parecia que o céu ia pegar fogo, de um vermelho intenso, quase laranja. E a chuva que caía era gostosa, fria. Lembro que tinha algum adulto junto. Não lembro quem. E lembro mais do que qualquer coisa a sensação que tinha ao entrar naquela água do mar quentinha fazendo um contraste com a chuva fria. Hoje posso comparar a um doce francês. E essa foi uma das últimas vezes em que me senti vivo de verdade.Claro que depois desta devo ter sentido algo parecido outras vezes. Mas nada será igual a isso. Uma lembrança tão clara, das temperaturas, das cores. E hoje em dia só atinjo esse estágio de vivacidade quando estou "realmente"em cena. Assim, e só assim posso sentir que tenho quatro anos...Porque mesmo que eu acordei pensando nisso?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Absurdo tomar banho em pé!



Uma dessas mulheres fantástica. Ela me encanta pela leveza de seus movimentos, pelo jeito que anda e fuma distraidamente o seu cigarro. Ela ama Chico Buarque, me ensina a gostar de rock e bandas dos anos 70 e 80. Tem uma capacidade incrível de conhecer pessoas. Uma garota linda e envolvente com olhos e sorrisos para o mundo. Uma mulher pronta para o mundo. Peculiar no jeito de pensar e viver. Ela é cinema, poema,canção. Minha inspiração na vida. Adoro vê la dormir ao meu lado. Fica muito mais linda quando, depois de uma noitada de balada, dorme serena ao meu lado. Acordo no meio da madruga feito criança feliz com a  boca aberta só em ficar te olhando. Quieto olhando e ouvindo sua respiração. Tudo é mais tranquilo e silencioso na madrugada. Assim em paz, simplesmente paro e faço uma prece a Deus para abençoar-te. Agradeço essa sinergia que ele me proporciona de viver momentos assim tão intensos. Momentos bem melhores que qualquer coisa que envolva o dinheiro para tal posse. Gasto com você toda minha admiração e orgulho. Tens pra mim um valor singular.

Tem sido noites agradáveis,tem sido descobertas agradáveis,tem sido a cor que minha vida precisava tomar. Adoro ver você dormindo com minhas roupas... Elas ficam bem só em você.

É sem dúvida uma das coisas mais linda de se ver e sentir. Se você soubesse que é a minha garota dessas já cantada em música..."ai se ela soubesse que quando ela passa o mundo inteirinho se enche de graça"...se soubesse que o mais importante para mim é fazer parte também da sua vida e despejar nela todas as coisas presas na minha cabeça. Eu não tenho papas na língua para expor minhas idéias com você. Meu rumo,sem ter você eu vou mais só. Aqui dentro de mim você demora,viveremos uma vida inteira.

domingo, 16 de novembro de 2008

Ponto de vista desprivilegiado


Eu hoje discuti com o meu cachorro;perdi completamente a razão.

Viver é verbo.


Correr pra chegar.
Chegar e alcançar!
Sair pra dançar.
Dançar até suar!
Olhar pra beijar.
Beijar até transar!
Deitar pra dormir.
Dormir pra sonhar!
Sonhar pra acordar.
Acordar e viver...


Viva a tua cidade,em cada detalhe,buscando a sua maneira essa tal felicidade.


terça-feira, 11 de novembro de 2008

...

Numa tentativa frustrada de ser/parecer poético descobri que a poética romântica está nas palavras que não são ditas. Esta nos gestos que, por menores que sejam, são executados com maestria.Descobri que o patético pode ser,e é geralmente muito poético. E acaba por se transformar no decorrer dos muitos caminhos de sentimentos e emoções em algo artístico, belo. O patético está ligado àquilo que nós tentamos desesperadamente esconder, talvez de nós mesmos e verdade. Uma verdade suja e nojenta, aquilo que nos forma enquanto seres. Tentamos nos livar dela com a esperança de sermos melhores e acabamos negando uma parte especificamente linda, que só o grotesco pode nos oferecer.Enquanto seres que escondem-se nas sombras, nosso dever é deixar guardado tudo que de ruim temos. Manter distante dos olhares curiosos: nossos medos, fantasias, desejos, afetos, imundices.Descobri que a felicidade não está em quanto vc ganha ou quanto perde. Está em passar uma tarde de dezembro com algum amigo catando os pedaços de estrelas que caíram do céu, contando segredos, que geralmente só se pode confiar a um único. Tirando o passado do armário reformando as partes feias e deixando tudo mais branco para ser sujo novamente.Hoje, e somente hoje descobri que podemos e devemos ser intensos.Somos todos seres vis, grotescos, asquerosos. O mínimo que devemos fazer é tentar fazer desse grotesco o melhor possível tornando-o belo, mas sempre grotesco

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira....


Era um domingo em que fiquei deitado o dia todo...as quatro da tarde sai de casa e fui almoçar. Acabei, por conta do meu atraso e do meu confuso fuso horário, comendo num "sofisticado" shopping aqui perto de casa.

Era um domingo de muita preguiça,desses em que você nem quer pegar o jornal pra ler.
Na praça de alimentaçao do shopping vi uma senhora descendo as escadas rolantes. Apontei para um amigo dizendo: Olhe que senhora bonita! Ele achou que fosse deboche,tive que explicar a beleza da simplicidade como ela se vestia,a estranha maneira com que ela segurava sua bolsa e enfim cabelo,cor de pele e a cara cortada em rugas. Rugas de trabalho ao sol acredito. Naquele shopping com tanta sofisticaçao e estilo faltava a todos o que sobrava naquela senhora: personalidade. Não escondia em sua essencia quem verdadeiramente era.

Acabamos de comer e fomos para o espaço de cinema,nao daquele shopping mas um pouco mais abaixo. Entrei na livraria. Um delicioso sofá estava no canto da loja e meu corpo descansou ali enquanto meus olhos exercitavam naquele lugar. Tocava uma musica francesa na loja. Eu estava sem vontade de falar,sentado observava tudo e todos. Um senhor pediu um livro do Lacan...Outra moça comenta sobre o show da Madona que acontecera no Brasil. Pensei: pago pra nao ir a esse tipo de apresentaçao...nessa coisa tão superficial que é de fato a vida desta cantora. Um falso valor que ela cria na tribo dela...mas foda-se para o que eu penso. Eu falei foda-se??? Poxa era assim que de fato estava neste domingo. Mas a grande promessa era o filme que até entao planejei assisti-lo. Eu precisa terminar de ler o livro para assim entao ver o filme. Um filme que ja estava todo pronto na minha imaginação. Uma moça saiu chorando da sessão. Pensei ela saiu cega. Acredito que seja bom. Como ali mesmo pensei nesta questão das coisas apartir da nossa visão e do nosso poder de argumentação. Observando o comportamento deles a partir e o modo como relacionam-se uns com os outros,chego a concluir que as pessoas tornam-se realmente quem elas são, a partir do momento em que não podem julgar a partir do que vêem. O filme esta longe de ser o que está na minha cabeça...mas com certeza fortalece a minha idéia sobre o olhar do outro,a expectativa e de como estamos cegos diante de muita coisa.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pra nao dizer que não fiz poema...


Eu pensei em você
Lembrei do tempo e
Das tardes que passei
Pensando em você
Duplo pensamento
Duplo sofrimento
Desde o dia em que
Você foi embora
Penso em você
Só nao quero
Pensar em te esquecer


Paciência...

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Qual assunto que mais lhe interessa?

Novo dia começando. Sinto que hoje esta menos quente que o habitual.Enquanto ergo os olhos para o céu as pessoas se ajeitam nos lugares. É uma segunda feira na cidade de Belo Horizonte...olhando a cidade e sua arquitetura, comecei a nao pensar e apenas a observar pessoas e coisas,o que estava dentro e o que estava fora...o certo mecanismo que tudo virou. Nesta hora tocou no ipod uma música cantada por Elba Ramalho e Gabriel Pensador. O trecho da música diz assim:
Qual o assunto em que mais você pensa?
Qual é a verdade em que mais você sente?
Qual a mentira em que mais acredita?
Qual é o nome que você mais grita?
Qual é a força que mais te enfraquece?
Qual é a fome que mais te alimenta?
Qual é o prato que mais te apetece?
Qual é o mapa que mais te orienta?
Qual é o jogo que mais você ganha?
Qual é o ganho que mais te enriquece?
Qual é a perda que mais você chora?
Qual é a casa em que mais você mora?
Qual é a frase que mais você fala?
Qual é a fala que mais você cala?
Qual é o assunto que mais você teme?
Qual é o tema que mais ignora?
Uma frase agora do grande documentário de Oscar Niemeyer onde ele diz:
“Pra tudo tem que dar uma explicação. A mediocridade ativa é uma merda”.




Sem sentir os sentidos...


Você tem cinco sentidos.

Saber usa-los é dar sentido a vida.

Que nao tem sentido.