
quarta-feira, 27 de maio de 2009
A idéia é a rotina do papel

quarta-feira, 20 de maio de 2009
Ninguém parece se importar
Cristóvam Buarque inicia seu livro O QUE É EXCLUSÃO SOCIAL com a descrição da diversão de jovens abastados em frente a um McDonald’s de Brasília: “brincavam” de jogar batatas fritas no chão para meninos excluídos catarem, como quem joga pipoca a macacos.
Havia acabado de almoçar e me dirigir a um café que tem ao lado do super mercado Bom Preço, onde se tem da varanda uma bela vista para a rua.
Foi dali que avistei toda a ação de uma exclusão social. Havia na sinaleira um garoto negro, corpo franzino e aparentemente perto dos 8 anos de idade. Seu nome é Jorge Antonio e aprendeu o oficio de fazer malabares com cocos verdes sozinho. Ele realiza sua arte no cruzamento da Rua Pernambuco com Ceará aqui na Pituba. No intervalo de um sinal fechado, ele desenvolve sua performance com maestria. Fiquei horas ali no cruzamento observando e ele não parava: saia de um sinal, corria atrás das gorjetas e logo se posicionava ao outro sinal. O incrível é o desprezo dos motoristas para com Jorge. É uma verdadeira arte o que este garoto faz, mas uma população de alma e vidros fechados, não haveria de ter tal sensibilidade pra prestar atenção. São dois mundos distantes, cada qual com sua vida, cada qual com o seu problema, sem tempo para sentimentalismos. Jorge não consegue receber seu dinheiro, os vidros escuros não deixam mostrar nada. Do lado de dentro homens e mulheres falando ao celular, ouvindo suas músicas e se sentindo viver num país legal. Houve que risse da desproporção entre o tamanho do coco e o próprio garoto.
Sei que o lugar de Jorge seria na escola, contudo sabemos que aqui em Salvador existe um número ainda assustador de analfabetos. Jorge faz parte desta estatística. Com certeza esse dinheiro vai ser encaminhado ao sustendo da casa. Pensei em que sonhos esse garoto haveria de ter na vida? Acreditamos normalmente participar desse ciclo de violência apenas como espectador dos noticiários e grandes narrativas da televisão. Jorge um dia vai cansar e vai virar notícia como aquele jovem que roubou o relógio de um apresentador de televisão, lembra? E nos negamos a enxergar e tentar se mobilizar para sairmos do ponto zero. As elites cidadãs dificilmente percebem sua própria barbárie.
Não quero criar um juízo de valor se devemos ou não dar esmolas a garotos que se apresentam no sinal. Mas quero deixar um alertar aqui: esses garotos são pra mim os verdadeiros heróis do dia a dia. Se você que gosta de assistir a reality show e sempre vota em alguém para ser eliminado (e posteriormente vê-lo nas revistas pornográfica) pense em gastar seu dinheiro com instituições que prestam serviço social a jovens talentosos. Essas que podem fazer com que garotos como Jorge Antonio possa realmente fazer o seu trabalho para pessoas com sensibilidade de espírito. Caso contrário viverão de lutar para que suas vidas ainda sejam preservadas enquanto seus acessórios de grifes serão levados para o sustento das famílias desses garotos “qualquer”.
Milton Santos pra finalizar:
Tem um nível da sociedade que tem acesso à percepção e reproduz percepção, que não percebe que o país é muito mais rico, muito mais complexo e avança muito mais do que as pessoas percebem, enxergam e dizem. Tem um nível de solidariedade muito maior do que as pessoas percebem, enxergam e dizem. Então tem outro país além desse oficial que é esse que a gente vive.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Relatos de inquietude

Uma prancha de surf. Uma vontade de sair pro mar num dia quente. Um livro ainda pra acabar de ler. Tomar sorvete com você na Ribeira. Fotos de Pierre Verger jogado no tapete da sala. Um jazz com cappucino no fim da tarde. Um dia colorido e intenso, a casa toda aberta... o ar correndo solto. Música de Lily Allen no carro. Um novo rumo, encontros errantes, sorrisos desconhecidos. A noite sentar na praia para contar estrelas no céu e ouvir você contando coisas do seu dia. Ouvir sua fala desorientada e esperar pelo silêncio que virá. Os olhos então deram de falar. Eu e você e tudo mais ali por perto: barulho de ondas, luz da lua. Somos todos crianças distraídas.” Foi numa noite igual a esta, que tu me deste o teu coração”. Você então descansa no meu cangote, pula pro meu peito e dorme. Rimas bonitas e um silêncio que precede o beijo calmo. Isso basta. Acordo e sinto que tudo não passou de realidade. Eu, que achava que estava sonhando, vejo você ainda de olhos fechados me pedindo pra irmos embora pra casa.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
O olhar de Elisa

Sobre estar só e culpado por tudo
Ontem me bateu dor... Uma forte dor que me jogou pra debaixo da cama. Li as cartas que os amigos me escreveram de Belo Horizonte. Era tamanha a riqueza dos detalhes de vidas contadas e vividas juntas. Senti-me de fato muito vivo. A vida passa a ter sentido quando faz partes dessa, dentre outras tantas loucuras. Amigos e nostálgicos não se cansam de me pregar às virtudes da minha Belo Horizonte. Resta matar essa saudade e acredito que a hora já esta próxima. Não perdi ainda o sono e a toda hora eu me traio com falsas verdades. Busco uma maneira de me boicotar pra não pensar em enlouquecer. Uma tentativa de negar e sobrejulgar meu destino. São minhas loucuras: aceita, compartilhada, disfarçada e dignificada, mas mesmo assim loucura. Tudo que vale a pena é pra ser vivido. Estou intenso nessa esperança de buscar ir ao fundo porque a vida é curta demais. Eu estava dentro da livraria e do nada me bateu um estranhamento, uma louca vontade de sair correndo de todos ali. Agi com uma falta de educação com minha amiga Ingrid a deixando lá sozinha. Fui guiado pelo meu olhar na saída ate em casa. Pedi ao Deus do tempo pra me dar luz, pra eu saber que o horizonte não esta distante. Fui olhando o mar... Esperando o acaso aparecer na minha vida. Parece que o amor ligou. Mas eu nem to nem ai pra ele. Não estou por uma simples falta de concentração e entendimento de tudo que me rodeia. Hoje eu quis ficar em casa, quieto, sem ler, sem ver tv, sem acessar internet, quase sem atender telefone. Hoje ficando em casa deixei a tristeza tomar conta de mim... Abaixar minha ansiedade e me levar a escrever esse texto. Não posso culpar a cidade, não posso culpar ninguém se não a mim mesmo. A culpa me encanta agora. Os olhos vidrados de dor, a alma torturada pela terrível verdade sobre si mesma. Sobre estar só e culpado por tudo.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Um laço bem bonito.

Complete sua vida e morra na hora certa!
Não tenho mais sossego, há anos que a humanidade está pra morrer. O perigo começou com a doença da vaca louca passando pelo bug do milênio,parou no aquecimento global, voltou na gripe das aves e agora estacionou na gripe suína e ainda por cima mexicana. Arriba! A vida despreocupada terminou; mesmo que hoje estamos vivemos mais e melhor tememos a nossa destruição física, por mais modernos e entediados que somos. Já não é o bastante morrer dentro dos nossos carros, nos ônibus, na rua, na praia, num matagal distante da cidade, na queda de um avião ou mesmo em casa em paz, é preciso morrer coletivamente. Parece que estão planejando isso. O tsunami veio e arrastou milhares de pessoas e há quem diga que a culpa foi da natureza se rebelando contra nós. Bin Laden enviou aviões para amedrontar a humanidade. É preciso morrer coletivamente e morrer em casa tranqüilo é quase que um luxo. É preciso não se alienar com isso. Eu que não tenho medo disso tudo fico pensando até que ponto vai tudo isso e concordando com Nietzsche: “Quem tem um porque viver pode suportar quase qualquer como”,. A mídia assusta a gente com essa vontade de vender notícia...a morte é parte da vida . A morte é o que permite essa aventura, sem a morte, num sentido de perda total da consciência, do ego e do desligamento dos laços que mantinham a unidade corpórea e seu funcionamento, nunca poderíamos estar em devir. Complete sua vida antes que seja tarde!
