segunda-feira, 27 de julho de 2009

A outra metade de minha alma é feita de rocha.



Seja na voz de Milton.

Seja no sotaque do povo.

Seja no tempo frio.

Seja no café que tomo.

Seja no pão de queijo.

Seja com Drummond.

Seja no meu silêncio.

Não sei quantas vezes, vi um montanha e pensei estar em casa. Mergulho em barrancos e rios de aguas corridas. Tanta saudade. Imagens de instantes. De pensar que estou tão distante.

"Põe mais um na mesa de jantar

Porque hoje eu vou "praí" te ver

E tira o som dessa TV

Pra gente conversar

Diz pro bambo usar o violão

Pede pro Bruno me esperar

E avisa que eu só vou chegar

No último vagão"

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Na ponte Rio - Niteroí


17º graus em Niteroi. O trânsito esta parado, aliás na ponte, sempre essa hora esta tudo parado. Chove e aproveito para escrever. Estou indo de taxi para o trabalho,para mais uma nova e boa jornada de trabalho. Meu olhar esta perdido e sem comprimisso com nada. Vou olhando sem ordem para as pessoas e arquiteturas. Ontem 3 pessoas foram vítimas de bala perdida. Já é comum isso no mundo. Não só aqui no Rio. Mas a roda continua girando e é preciso fazer vista grossa para as grosserias e injustiças diárias cometidas ao seu redor. Escrevo frases no vidro embassado do carro. Diante de tudo que penso, agora mesmo, me bateu a vontade de abrir a portar e pular no mar. Em plena chuva me atirar no mar gelado da baía. Sair desse caminho que leva todo mundo ao mesmo lugar. Onde o que importa é entrar de uma vez e ocupar seu lugar. Acabou-se o romantismo, isto é, acabou-se da maneira antiga. Saudosismos à parte, a era da comunicação globalizada já chegou e salve-se quem puder. Enterre-se na sua cova rasa, tranque-se na sua redoma, construa seu dique, crie seu castelo de cartas ou morra afogado em meio ao mar de gente. Afaste-se da multidão. Ou fique e preocupe-se com a gripe suína se quiser. Niilismos à parte o pior já foi feito, e não há como voltar atrás.


Quero alcançar outra direção. Pular de cabeça numa palavra nova,num dia novo para as coisas que me prendem de verdade. Sei que tenho muita coisa pra fazer no trabalho, tenho tantos livros pra ler, tantos lugares pra visitar. Mas o meu medo é da multidão. Afastem-se da multidão. O mundo é feito de relações que criam realidades palpáveis. Mas o que vale são as boas, as relações que somam, com pessoas que interessam. E acredite, está cada vez mais difícil encontrar pessoas que tenham algo interessante a dizer. Quando digo "afastem-se da multidão" me refiro a multidão que vaga sem saber pra onde vai.


Pausa: a cidade chuvosa, o vidro do carro embassado,o mar cinza.Toca a música de Chico Buarque (sem fantasias) e do nada a vida passa a ter outro sentido. Um gande sentido. Vale a pena amar.


Nem sei mais o que quero dizer. O que sei é que amar é a prova que vivo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Existe algo de ausente me atormentando...


Não ando bem da cabeça. De tanto pensar em você, hoje guardei o café na geladeira. Hoje me esqueci de lembrar que estou vivo. Meu despertador tocou a cinco da manha e não havia sequer um compromisso. Hoje é sábado, dia de praia. Lembrei do dia em que te vi pela primeira vez e enquanto pensava me peguei lendo o jornal da semana passada. É não ando bem da cabeça... O dia hoje parece pesado ou seria eu que estaria pesado? Movo com desembaraço, quando antes andar era a forma de captar os sinais dos dias lindos. O dia hoje está lindo e nem reparei nisso. E também não reparei que hoje acabei admirando um poema de Cecília Meireles:

“A doçura maior da vida flui na luz do sol, quando se está em silêncio. Até os urubus são belos, no largo círculo dos dias sossegados.”

Hoje fui à praia e como não ando bem da cabeça esqueci o protetor solar. Sentei e acabei não lembrando de ligar para uma amiga com quem havia combinado de juntos irmos a praia. Sim o dia estava lindo. Avistei lá longe um barquinho e o mar azul. A leveza do ar me trouxe a vontade de ir até lá e de lá ficar pensando em você. Pausa para entrar no mar.

Voltando do mar, dos mergulhos que dei enquanto retornava à areia comecei a observar as pessoas. Pessoas e coisas. Pessoas coisas. Coisas pessoas. Sim, de fato sou coisa diante de todas essas coisas aqui na praia. Estava agitado, inquieto e como não ando bem da cabeça me bateu a vontade de voltar pra casa. Tomar banho, comer e dormir um pouco.

Não ando bem da cabeça, fiquei de encontrar com um amigo para apresentar-lhe o Pelourinho e acabei esquecendo. Não estou com paciência também. Meu corpo quer sossego, inclusive para não sofrer. Meu coração arde feito brasa de imaginar você menos presa a mim do que eu a você. Um desespero de não poder ter você ao meu lado nesse dia lindo e feio pra mim.
Sei que de uma forma ou de outra, não deu. Tomei remédio para dor de cabeça e veio uma descoberta as duas da manhã: O problema é que se eu corro o bicho me pega e se fico ele me come. A manhã de domingo entra, com um recado de Drummond:

“Parar é regra de ouro (se não me falha a memória).”

De fato não ando bem da cabeça. Irei dormir.
Uma boa noite pra mim.
Se acalme, rapaz!