sábado, 31 de janeiro de 2009

Quando me vem a vontade de gritar!


De dia se corre atrás do pão de cada dia.
À noite estamos prontos para resolvermos o problema da carne.
Ontem depois do trabalho sai pra beber. Era fim de tarde já.
Duas horas depois estava sem minha dignidade e fui pra casa.
Chegando em casa, pratiquei mais três verbos apenas: vomitei, deitei e dormir.
Quando foi as duas da manhã acordei. Fiquei aceso dentro de casa. Com uma vontade doida de sair novamente. Com uma vontade de conversar e nessas horas é péssimo morar sozinho. Só nessas horas.

A luta então começou: andei pela casa de um lado para o outro no escuro (quem bebe sabe o porquê da escuridão). Peguei o livro pra ler, liguei a Internet , fiquei vendo a t.v desligada e nada de me aquietar. Abri as janelas do apartamento e fiquei a olhar pra fora. Lembrei de um trecho do livro de cartas do Caio F. Abreu que relata sobre essa questão da solidão de quem escreve:

“Uma pessoa que escreve sobre a vida - como quem olha de uma janela - mas não consegue vivê-la”

Se quer conhecer de fato os seu vizinhos vá para a janela as duas da manhã. Observando o comportamento humano relato que somos animais no instinto, com a diferença de que matamos por prazer. Vivenciei o que as pessoas vivem vendo nos reality show.Lembrei na hora do que Henry Miller diz:


"Se todo mundo pudesse ser espionado, investigado, interrogado, acareado,forçado a confessar,em sua honesta opinião,estaríamos todos na cadeia.."

São quatro da manhã e me dispus a escrever. Escrevendo me vem o alívio do desabafo. Escrevendo deixo de ser múmia, zumbi e me sinto acordado.
Escrevo quando me vem a vontade de gritar.

O tempo Branco.


A Felicidade


O tempo passa, e nós mudamos tanto...Ficamos tão sérios, tão preocupados, e sempre tão sem tempo pra coisa alguma. De repente, alguém disse que para sermos felizes, o que precisamos é ter um bom emprego, uma bela casa, o carro do ano, os aparelhos e as roupas da moda e, claro, termos muito dinheiro na conta. E nós, bobos, seguimos atrás destas coisas cegamente, aficcionadamente, entregando-nos a uma vida afogada em trabalho, estudos, metas, e uma constante insatisfação.Mas se olharmos para trás, ainda poderemos lembrar de um tempo em que era até engraçado não ter dinheiro e fazer vaquinha pra pagar a conta da lanchonete com nossos melhores amigos. Se não conseguíamos ir todos juntos para a festa ou para o show da hora, fazíamos nossa festa na casa de alguém, ou na rua, mesmo, por que nossa verdadeira festa era estarmos juntos, sorrindo uns com os outros. Mas... para onde foi esse tempo? Para onde foram os amigos? Para onde estamos indo nós?Nós nascemos muito felizes. Crescemos naquilo que pode ser a expressão mais tangível da felicidade possível, mas aos poucos vamos trocando isso por outros valores, como sucesso profissional e sucesso financeiro... Bem aventurado é aquele que consegue acordar a tempo de perceber que melhor do que fazer horas extras no trabalho ou perder noites de sono em algum projeto ou pesquisa, é sempre reservar um tempo para preservar suas amizades, dedicando-se às pessoas que você ama, à sua família. A felicidade está conosco o tempo todo: nós é que muitas vezes não damos a menor bola pra ela...


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* Fonte:


sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Eu preciso dizer que...




Eu ja não sei se eu tô misturando...
Ah eu perco o sono.
Lembrando em cada riso teu,qualquer bandeira.
Fechando e abrindo a geladeira, a noite inteira.
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*Música: Preciso dizer que te amo.
Interpretado por Cazuza e Bebel Gilberto.
*Ilustração:
MATISSE, Henri Emile Benoit 1869 - 1964 El caracol (1953) Gouache sobre papel, cortado y pegado en papel, 287 x 288 cmTate Gallery, Londres

Para não morrer de amor.



Amar é um sentimento que vem sem controle.
É do meu jeito para o seu peito.
É uma forma de ajustar dois corpos em um só.
É uma grande loucura.

Assim amor só pode rima com dor.
 Loucura recusar a  impenetrabilidade.
Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no mesmo espaço.
Podem ficar preso no carro num dia de forte temporal.
Podem ficar preso dentro de um banheiro de azulejo azul.
Pode esperar no portão.
Consequência da solidão.
De entregar para você o meu coração.
Para amar é preciso ter um pouco de lucidez.
Embriagado não se pode entrar num carro.
Gritando seu nome  pelas ruas do Santo Agostinho
Loucura.
Precisei sair dessa cidade.
Para não morrer de amor e viver em paz.



quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Do que você tem saudades?


Do avental xadrez que usava para ir a escola.
Do tempo em que dormia junto com a minha mãe.
Dos longos casos que meu avô me contava.
De ficar assistindo a missa em pé no fundo com meu primo Júlio.
De soltar papagaios na laje.
Do cheiro da casa limpa da minha irmã Dana.
Dos lanches que minha irmã Dulce preparava todas as tardes.
Do chocolate em forma de sombrinha.
Das balas de amendôins coloridos.
Do primeiro livro que li: O burrinho alpinista.
Do cheiro de lápis de cor.
Das viagens que minha tia Del fazia e as músicas antigas que iamos ouvindo.
De subir em pé de manga e come-las lá de cima.
Do tempo em que via a cidade do alto da Serra do Curral...

São tantas saudades...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O tempo de uma tarde.


Fomos pra cama no meio da tarde.
Meu amor de cansaço caiu nos teus braços sorriu e dormiu...

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*adaptação da música Madrugada e Amor de Caetano Veloso.

Desdobrável


Tomei o café no copo de requeijão mesmo. Nada de xícaras. Fui até a janela,com o copo na mão andando pela casa escura. Hoje olhava fixamente perdido para uma parede branca e sorria feliz. Meu fim de semana foi sensacional. Comprei um livro de cartas do Caio Fernando Abreu. To gostando muito. Sábado passado vi a peça dele e sai encantando com a produçao e montagem de um dos contos dele. To na onda do Caio. Aliás tô na onda de muitas outras coisas,até musicas bregas estou escutando. Anseio pelas minhas férias. Preciso quebrar a rotina. Ganhei um quadro da Lizandra (amiga que mora na Africa) e neste momento estou olhando pra ele. Um som chato da máquina de lavar chega até a sala. Escrevo é pra aliviar mesmo. Tem algo me sufocando dentro de mim. Um medo escondido de fracassar na vida. Viver não esta facil. Todos os dias no trabalho, sem querer cai na minha mão uma especie de tablóide da violencia em Minas. A gente vai lendo e vai ficando acuado,medroso e paranóico. Quero sair daqui. O mundo ta ai é pra ser visto e curtido mesmo. Tudo antes que acabe.


Preciso dar uma volta ao mundo....

Antes que acabe.

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"Eu sou o menino que abriu a porta das feras,no dia em que todas as famílias visitavam o zoologico"...
Gilberto Gil

domingo, 25 de janeiro de 2009

Rio de janeiro à Kajonero


Queria uma vida assim: de acordar tarde e ir pra praia a tarde encontrar a turma. Turma que se mistura assim: como as dos jornalistas, do teatro, do cinema e dos hippies. Tudo junto misturado pensando nas novas formas de artes: falando dos shows de Gal no tempo do sucata ,esculhambando os artistas "do globo" que não fazem arte,inventando festas pra gente curtir o papo e os amigos. E os assuntos propagam com puro lirismo, viagem de força e fantasia. Uma tarde pra vadiar com os gestos e palavras numa roda de pessoas anormais.Não me sinto nada a vontade com pessoas normais.

Hoje é tempo de bijouterias


Hoje é tempo de bijouterias.Esse tempo não é meu.
Pensei isso ao me deparar com a data que atestava algo:
Dois meses passados,do início do que já estava vivendo.
Era o mesmo corpo.
Como podia ele fazer com que achasse que não era a mesma cabeça que controlava?
Enquanto acordado conduzi meu olhar...
Sei o que me quebrou e consertei e desconsertei.
Que estranhamento metafísico então é esse?
Quem liberou transformações nesse corpo?
Deve haver alguma tomada.
Porque ate onde sei,meu tempo é outro.


O tempo que pensava quando criança é barraco que guarda riquezas.
Porem hoje se mostrou ser um palácio que comporta bijouterias.
Só as bijouterias tem valor.
Temos que faze-lo...
Enquanto criança via valor nos tesouros.
Hoje lamento.
Hoje sei o tempo é hoje.


Hoje é tempo de bijouterias,

domingo, 18 de janeiro de 2009

A janela da alma




Parece que tem uma borboleta batendo asas dentro dos meus olhos.

Inquietação pura!

Acalme-se borboleta

Me deixe dormir.

domingo, 11 de janeiro de 2009

A felicidade também é azul


Fomos almoçar na cidade de Lagoa Santa. Na volta; já com a preguiça costumeira que temos após o almoço deitei no banco traseiro. Fui deitado olhando pela perspectiva da janela de trás do carro. Olhava para cima com o carro em movimento, ao som de Nina Simone ao fundo. Gosto desses momentos em que se olha o céu através da pequena janela e se pensa na "vida". Geralmente faço muito isso quando viajo de avião, vejo o céu e quando tenho oportunidade vejo o mar e acredito que o mar possa ser céu também. Céu e mar e um azul profundo. O amor é azul como na musica de Djavan. O tempo que dura para mim é sempre um tempo de 'puxar o filme atrás' e reviver o que vivi nessas viagem. Sejam breves ou longas todas as viagens ficam sempre muito marcadas na minha memória. Mas essa foi logo ali mas exata para eu pensar enquanto observava as nuvens no céu. Sair de casa é muito bom,sempre algo surpreendente pode acontecer. Um momento para Quintana:

”A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Em casa, deu me a vontade de escrever sobre as nuvens: A primeira vez que vi nuvens por cima, sentado num avião, ocorreu a idéia de estender a mão e recolher um pouco. Hoje sei o que as nuvens são; gosto mais do céu azul, mas também gosto de certas nuvens. Não gosto de outro tipo de nuvens, as nuvens que nos vão ensombrando o futuro, nuvens pesadas de ameaça e de cinzento, nuvens que teimam em tornar tudo mais negro, quase que á força, roubam o sol, não trazem tão pouco chuva, trazem só tristeza, injustiças. Essas ando sempre a soprá-las…

Hoje sei que as nuvens são só gotas de água suspensas.


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A música que toca na rádio era:
Nina Simone - My Baby Just Cares For Me

sábado, 10 de janeiro de 2009

Poema para o amigo Antônio Mário


Álvaro de Campos
Lisbon Revisited
(l923)

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço.
Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância — Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada,
Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz!
Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
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*Antônio Mário é um grande amigo e grande pensador contemporâneo.
Ilustração:
«Picasso/ you give us Things»

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Trechos de Chico Buarque


Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três.
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava um rock para as matinês.

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Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim.
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim.

Verão 2009


Quero comprar um ventilador e vamos comemorar em casa a compra!