sexta-feira, 20 de março de 2009

Aquilo que já foi e sempre será querido.


Acordei hoje com um nó e uma tristeza boa. É que tenho em mim a certeza que vou sentir saudades de um amigo querido que pra Irlanda foi viver sonhos. Sentir saudade é tão difícil de explicar. Acredito ser uma relutância de todos nós com a mudanças inerentes a capacidade de viver.
Mas onde foram parar as estrelas? Onde está a lua? Derramo ali deitado minha saudade a tudo nessa vida. Eu não fecharei os meus olhos, quero estar aqui quando o dia chegar. Quero ter uma conversa séria com o acaso. Aquilo que dá e passa,aquilo que acontece sem uma ordem durante o dia. O "por acaso" vive onde? É um caso apenas dele. Hoje eu dei meu silêncio pra muita gente. Não quero falar. Quero aprender a voar.O que sei é que em Luanda e agora na Irlanda há mais cor e mais brilho.
Rafa,que sejas bem feliz!
..."divertir os outros: um dos modos mais emocionantes de existir" Dona Clarice L.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Odeio pensar em você livre na cadeia.


Quando alguém esta disposto a lhe fazer bem é um bem danado. Um pleonasmo que me envolveu hoje, que nada me tirou do sério. Nem a pia entupida da cozinha e nem o meu ipod que travou , me fizeram perder o sorriso no rosto e a cara de quem ganhou na mega sena do amor. Sim, existe esse prêmio! Mega Sena do amor é para aqueles que tentam tentam e uma hora a sorte bate...Bate e te liga 2 a 3 vezes por dia, para saber como você está e o que vai fazer um pouquinho mais tarde, daquela quase mesma hora. Te leva pra comer num japonês em plena a segunda feira e ainda diz que quer lhe ver no dia seguinte. Pega na sua mão enquanto dirige o carro... Te olha profundamente e lhe beija a face... te mostra a cidade, como um presente, lá do alto.

Você nao pode sair contando pra todo mundo. Onde já se viu ganhar um prêmio desse valor e sair por ai com a boca no trombone?

Uma lágrima que fica presa dentro da alma da gente,ela não sai,faz o olho brilhar vem acompanhada de um sorriso. É a verdadeira vitoria espiritual. Uma alegria fora do comum. um estar perdido dentro da civilização, mas encontrado em si. Existem ótimos poemas para retratar tudo isso: a noite com a lua no céu,o rosto com a lua nos olhos,tudo brilha. Reluz. Uma segunda com seu extremo exagero de poesia. Não sei se vc deve depender de muito mais que isso,eu ali feliz por estar ali enquanto muita gente vivia suas mentiras em algum lugar do mundo. Mas o que é a verdade de cada um? Vou parafrasear Thoreau:

..."em vez de amor, dinheiro, fé, fama, equidade me dê a verdade"


Algumas pessoas acham que não merecem ser amadas. Entram silenciosamente em espaços vazio tentando acertar as contas com o passado. Não tô mais pra isso. Eu sei como é importante na vida não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte. Mas o importante é que a capacidade de aprender de um ser-humano é ilimitada. Aprendo, mais cedo ou mais tarde a deixar as pessoas irem, irem porque elas querem. Porque precisam. Porque é necessário. Porque, por mais que duas pessoas se gostem elas podem se machucar juntas e e melhor estarem separadas.
Ninguém jamais vai ocupar o espaço que é seu. Você me entende? E o que não entendo é pq as pessoas são tão más umas com as outras...Mas nossas verdades foram ditas hoje, nessa segunda feira de prêmio pra mim. Que sorte a minha ter você por perto, agora, mesmo longe. Meu coração nunca ficará longe daqui. Vou embora acreditando mais do que antes.

sábado, 7 de março de 2009

Mar adentro.


O que procuro é um bem cuja posse satisfaça meu desejo e, por conseguência, confere a paz.


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Estou de mudança para Salvador, uma cidade viva. Eu vou deixar bem claro para todos os meus amigos que dizem que estou louco de trocar Belo Horizonte por Salvador: Minha relação com Bh é a mais simpática possivél saio com todo o carinho do mundo...uma cidade charmosa e cheia de encantos...a praça da liberdade...as motanhas vista de qualquer canto da cidade. Meu sotaque e o jeito mineiro levo comigo!
Em Salvador eu vou por conta do mar...como se uma sereia me chamasse com seu feitiço. Uma cidade com arte, um povo alegre, simpático, sobretudo bom e o mar por perto. Vou viver numa cidade que conferiu a Deus o título de artista plastico maior. Inspiração para atores, escritores e cineastas. Enfim em Salvador é a escola para essa gente toda.
Fernanda Montenegro, quando está no Sul do País, tem a impressão de que foi para a Europa. Na Bahia, é como se estivesse na África. Só quando vai para Minas sente que foi para dentro do Brasil. Quem relembra esta história é Caetano Veloso, no especial A Sede do Peixe, que conta um pouco da vida e da obra de Milton Nascimento, o mais mineiro dos cariocas.

Lobo bobo




Uma overdose de João Gilberto não faz mal a ninguém.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sobre ficção e realidade


Planejamos coisas. O inesperado quase não tem oportunidade de entrar em nossas vidas por conta da nossa precisão em planejar. Parei bem na porta do avião. Parado me deu uma vontade de voltar. Não avancei, apenas pensava na possibilidade de uma tragédia. Tudo que eu havia planejado e realizado estava próximo ao fim. Nada mais fazia sentido nesses 30 segundos de paranóia. Entrei com o pé esquerdo, mesmo querendo pisar com o direito; um filme trágico passava na minha mente. Minha intuição duelando com a minha coragem. Nunca tive medo de voar, muito menos da morte. Durante esses segundos eu pensei na vida e na falta de coragem para se permitir ter medo. É de lirismo verdadeiro que preciso,não de adrenalina. Entrei,sentei e me permitir contemplar o mar e as nuvens no céu. Rumo à Belo Horizonte eu parti.

Nas águas de Dona Janaína.


Não havia ninguem na praia aquela hora. O céu completamente estrelado e um lua minguada me enchiam de alegria plena. Eu ali parado na frente do mar. Minha admiração maior na vida. Tirei toda a roupa e tive a experiência de me entregar completamente. Andei por andar andei e todo caminho deu no mar...não tem como nao lembrar Caymmi. Não tem como nao pensar em poesia e em você.

Meu corpo, minha alma, desejos e medos vivem da brisa da madrugada. O que há de mais belo é o meu olhar. Tudo que vejo: mar, lua e as estrelas. Tudo isso é teu. Você vive dentro, em mim.

Vamos chamar o vento?


..."Adoro ficar olhando o vento alegre brincando com a persiana".



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*Trecho da conversa com Teu.

É que eu não aprendo


Estava indo tomar banho para dormir e antes, porém, resolvi enviar um e-mail. Dei uma olhada no orkut e me veio a potencia de uma dor que já sentia. Não acho saudável escrever sobre um tema recorrente não só nesse, mas em todos os blogs do mundo. Sem falar na literatura, poesia, dramaturgia, pintura, enfim. Todos falam sobre o amor. Seja ele no estado líquido sólido ou em forma de vapor. O que eu sei e não aprendo é virar a pagina de uma relação perdida. A dor que sua ausencia me causa é tímida mas presente. Não é preciso procurar por ela (a dor) porque mesmos tentando viver de maneira mais certa, ela me encontra na hora que quer e bem entende com a maior facilidade. Todos nós acreditamos que sabemos sobre o amor, todos acreditamos que entendemos alguma coisa sobre o amor. Mas, apesar disso, o amor continua sendo uma matéria obscura, o reino da confusão e do enigmático.


Eu amo porque não sei fazer outra coisa do coração que trago aqui dentro. Se escrevo disso, no momento, é porque ainda há alguma coisa dizendo que tem uma faísca aqui prestes a explodir tudo. Se escrevo desse tema recorrente é porque ainda o carinho não se apagou. Minha verdade nunca foi pura nem tão pouco simples. E, não, não vou ser hipócrita a ponto de dizer que superei e que consegui seguir a minha vida. Poderia se quisesse, mas não vou. Tentei buscar em outros passos o camiho que trilhava com vc mas não consegui. Meus pensamentos me levam a você a todo instante. É uma coisa louca. Eu tento. Tento ser engraçado e por vezes até consigo. Tento ser sério e por vezes deixo de rir. Tento ser o cupado, e por mais que deixe meu dia cheio fico infeliz, e me lembro da falta que me faz sua presença. . Fico confuso, deixo as pessoas confusas. Coloco um sorrisão lindo no rosto e vou... Vou como quem não tem pra onde ir, como quem tem na alma um profundo tédio. Tédio que me faz encher a cara sem motivo aparente.O buraco da minha vida se torna mais vazio sem você . E o que me dói é saber que vc é forte o suficiente pra não transparecer sofrimento... e isso me deixa em dúvida se você tem ou não sofrido. Não que eu deseje que sofra por mim. Não. Só me sinto um enorme nada, me sinto alguém que passa.

Por mais que a minha tentativa de relação foi uma convivência construída com árduo esforço, dia após dia, e, sem dúvida cheia de altos e baixos e de carências, momentos de desdém e tédio, ela foi autêntica. Uma fantasia, uma alucinação no qual me encontro fudido. Uma doidera. Estava no carro e do nada tocou a música e me devorou inteiro ,e então, as nove da manhã voltando do dentista,comecei a chorar. É que não aprendo...
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* a música era Postal (Cassiano) interpretada por Pedro Camargo Mariano.

Nada a declarar

"Eu sou um sonhador. Acima de tudo, um sonhador. Todas as vezes que fui feliz na vida, foi quando eu me permiti sonhar, delirar, inventar as coisas. Sonhar com um mundo melhor, com um país melhor... Imaginar como vai ser quando tudo for diferente, quando eu tiver conseguido realizar meus sonhos. Me imagino dando entrevista, explicando, contando como tudo aconteceu. O sonho, ele te empolga. Você começa a acreditar naquilo, te dá uma coragem, uma força. Agora, toda vez que eu tentei me adequar à realidade, eu fui extremamente infeliz, sabe. Você começa a pensar nas dificuldades, em tudo que pode dar errado... é a sabedoria dos medíocres. A segurança, o bom senso. Você não pode ousar, tentar fazer diferente. Quando você depende do reconhecimento alheio é uma merda, porque você não pode simplesmente existir, a sociedade é que tem que dizer que você merece existir e ser feliz! E é nisso aí que os medíocres dominam, porque eles são a maioria. Então, isso aqui virou o Império da Mediocridade. Bom é ser igual! Bom é ser ruim! É por isso que rapidamente o sujeito tem que ser capaz de desenvolver um certo cinismo pra poder sobreviver. O cinismo é como uma vacina. Na vacina, a pessoa é infectada por um vírus inócuo pra desenvolver a imunidade contra o vírus de verdade. O cinismo é assim: você fica meio acanalhado pra poder não adoecer no contato com a canalhice. O sujeito chega aos 30 anos e já é um amargurado, pelo simples fato de ser brasileiro. Porque ele vive numa realidade que é antibiótica, massacrante.
Olha, as chances das coisas melhorarem são, no máximo, iguais às chances das coisas piorarem. O problema é que a gente vive numa merda tão grande que as pessoas precisam se agarrar a uma esperança, acreditar em alguma coisa, pra não se matar, ou pra não entrar em depressão profunda. A religião, por exemplo, é um antidepressivo igual a esses remédios que dão aí pros malucos, que o cara fica todo bobo: Jesus... Jesus... Acaba com o cérebro do sujeito. Passa a ter só vida funcional: acorda todo dia de manhã, pega o ônibus, vai pro trabalho... No trabalho ele só tem que fazer operações básicas, tá tudo nas cartilhas, nos manuais, ninguém precisa inventar nada, porque os gringos já pensam em tudo por nós, é só copiar o que eles fazem. É só traduzir mal traduzido os manuais que vêm de lá. É tudo assim. A novela, toda essa babaquice da TV, é tudo antidepressivo. É tudo droga, tudo tem efeito psíquico. Daí tem a dose de jornalismo que é pra dar aquele choque pra dose de novela que vem depois fazer mais efeito. E é aquele jornalismo de merda, né. O cara tá ali sério, compenetrado, querendo se informar pra saber das coisas e tá sendo feito de palhaço, de otário, sendo manipulado, imbecilizado do mesmo jeito. É o imbecil bem informado. Tudo é entorpecente. Marx dizia mais ou menos isso, só que ele nunca poderia imaginar que o próprio marxismo seria o ópio de muita gente também. Eu fumo só de sacanagem. Nego fica dizendo: quem fuma é isso, quem fuma é aquilo. Vá se fudê! É um fascismo do caralho, porra!
Agora eu tô passando por uma crise muito grande, sabe. Mas não é crise de criatividade. É crise temática. Eu não tenho nada pra dizer... Porra, eu sou homem, heterossexual, branco, tenho grana... Eu vou falar do quê? Eu penso muito nisso. De amor? Amor é o caralho! Daí, você vai dizer: mas você é brasileiro, já não basta? Eu sei, eu ando pelas ruas. Eu vejo TV, porra! Eu vejo uma criança na rua pedindo dinheiro, isso me comove, me revolta. Mas, daí, eu vou falar o quê? Isso tá errado, isso não pode, isso me deixa triste? Vou xingar o presidente, deus e o mundo? Tá entendendo? Eu vejo o sofrimento, mas eu, particularmente, não sofro. E eu acho uma pretensão muito grande falar em nome dos pobres, falar em nome dos outros. É aquela história dos intelectuais dos anos 60, né, Cinema Novo! Falar em nome do povo. Falar pro povo as coisas que ele tem que saber pra se libertar. É ridículo! Os pobres, os discriminados, os oprimidos sabem dizer sozinhos, sabem se expressar sozinhos, não precisam da arrogância de um cara branco e bem alimentado como eu. E digo mais: estão achando suas próprias soluções, independentemente do Estado, dessa imprensa calhorda e dos intelectuais. Então, pra quem é representante de uma classe falida, como eu, representante de um projeto falido, o que me resta é observar o povo. E olha aqui a contradição, ó. O intelectual brasileiro, os ricos deste país, dizem o povo, quando, na verdade, tão se referindo só aos pobres. Tá vendo? Eu mesmo acabei de cometer esse ato falho agora. Quer dizer, não existe um Povo Brasileiro do qual todos fazem parte. Povo são os pobres. Os ricos são outra coisa. Então, eu não vou falar de fome, porque eu não sei o que é fome. Falar em nome dos que têm fome? Eu considero um desrespeito, uma afronta, eu falar de fome pra quem tem fome, ou em nome dos que têm fome. Eu não vou falar de revolta com a polícia, porque a polícia não me pára, não me revista, não me bate. Quando um policial tem que falar comigo, ele me chama de doutor, entendeu? Então, eu tenho é que ficar na minha, e ver se acho alguma coisa boa pra dizer. Por enquanto, eu ainda não achei nada. E quem não tem nada pra dizer tem mais é que ficar calado. Quer um queijo? Não? "
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*Texto do curta de ficção NADA A DECLARAR, 2003, de Gustavo Acioli

quarta-feira, 4 de março de 2009

Bahia de todos os santos.


[Frase de Luciana] + [ Farol da Barra] + [Água mineral] + [Parangolé] + [Pernas doendo] + [Beijo na boca] + [Dalila] +[Empada Brasil] + [Casa de praia de Nanda em Ipitanga] + [Dominó dos infernos] +[Ribeira] + [Cinema da UFBA] + [Banho de piscina para maiores de 18 anos] + [Doce Sonho do Corredor da Vitória] + [Banho de mar pelado] + [O sorriso e o jeito de Dona Durvalina] + [As comidinhas de Teu] + [As idas a locadora] + [O portão da garagem dos infernos] + [As pizzas do Skilo] + [O santana de Elisa] + [... e porque não o irmão de Elisa?] + [o cozido de Dona Zuzu] +[Caetano Veloso no trio do Jamil] +[Jamal Malik] +[A cor amarela] + [O sabonete "meleca" no banheiro] + [Cuz cuz no café da manhã] + [As canções de Cazuza nos banhos de Teu] + [Toko na Pituba] + [Corrida na orla] + [A agua de coco mais gelada no chaveiro] + [O chaveiro mais caro de Salvador] + [Os shows que não fomos] + [O suspense no beco de Rosália  nos Barris] + [Janela da alma e os sonhadores com suas lindas tomadas de câmera].



O exercício de pensar na casa nova, na vida nova. Tudo isso vai ser minha nova rotina. Comer,beber e viver Salvador.Saravá!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Hoje só quero o horizonte


De férias em Salvador. Cheio de energia nova. Meu bloco ficou literalmente na rua. Eu ,sem maria (Soninha) passei meu carnaval ao lado de João Valentão (Teu).
Somos muitos,vários. Somos tantos. Somos um a procura do outro. E onde está esse outro?
Eu procurei você em cada palavra,sílaba e verbo cantado nesse carnaval. Amor não é paz. É a guerra da vida,guerreiro é quem ama. Mar na minha frente,pôr do sol na Barra e o sentimento de que tudo vai valer a pena! A Bahia é a coisa mais intensa que pude ver e sentir. O povo baiano tem muito orgulho de ser baiano. Aqui todo mundo é Rei! Todo mundo tem cor. Axé para todos.