terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vik Muniz - Belo Horizonte 27/10





" O cérebro não colhe idéias no canteiro do ócio. É sobretudo pela interação com o material, pelo trabalho, pelo esforço e, em última instância pelo fracasso que nós nutrimos nosso banco de idéias."

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Belo horizonte em palavras


Um livro que dá preguiça, uma música (mar e sol-Gal costa). Ainda não sei dizer o quanto do mundo eu gosto, e já sempre soube que da vida é o que de bom grado me ensina a cada dia e ainda que acorde sem ver o mar, que cada segundo lento ou outubros vazio pode se encontrar encanto. Fantasia não é querer demais, é só pensar de menos .


Uma conversa ontem no carro- embalada pela trilha de pingos de chuvas que batiam no teto- me encheu de alegria. Noite fria de conversas quentes. Falamos do ato de liberdade que nada tem haver com dinheiro,busca de prazeres e o amor. O ritmo da palavra foi lento. Sem a pretensão de chegar a algum lugar,chegamos ao lugar maior: ao entendimento.


Agora acho que ainda falta muita coisa pra acontecer, só não sei dizer nem um décimo disso que poderá, ou não me afastar ou delirar desses sentidos todos que uma frase pode fazer.Me senti sozinho quando passei oito meses fora de casa, agora que voltei sinto a mesma solidão em mim. Nunca darei conta de entender isso...

Vou andar pela cidade a pé. Vou ao café com Helena. Vou ver para escrever.




P.s: Belo e o horizonte que se tem amigos: Antonio, Jouber,Katita, Jana,Ligia, Eriquita, Leandro,Rodrigo, Alex, Igor, Tatiana, Rafa, Gui e tantos outros na mémoria sempre!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A graça de um estado.




Antônio...Antônio...Antônioooo.

Quem, eu ou você?

Nós.

sábado, 17 de outubro de 2009

Um tom na vida sem tempo...

Ouvi muito fundo de quintal hoje. Não sei de onde vem essa força para o samba... Essa alegria que sinto quando ouço o batuque do pandeiro, o som do cavaco e a malandragem de um bom samba. Debaixo de um sol forte e um azul limpo de céu. O mais importante é que tudo estava perfeito e com o meu pensamento. O que de mim aparece nesse momento é puro pensamento desenhado. Como se eu fosse colorir as coisas. Com pincel de vastas cores. Não sei, mas já devo ter deixado claro que estou descobrindo novos limites na minha vida. Tenho muito medo de gente. Ando na rua com medo das pessoas. À noite quando volto pra casa tenho medo da violência. Eu que adoraria voltar andando pra casa, não posso. A qualquer momento posso ser abordado na rua e pelo preço de um celular ou relógio e/ou sei lá mais o que estiver comigo posso perder a vida. Eles não têm nada a perder, quem perde sou eu. Perco o momento de voltar pra casa caminhando num fim de noite, momento de ver as coisas com calma no meu tempo. Não sei por que estou nessa... Nem sei pra onde a gente vai se continuar assim. Sei que quero um ver um novo sol todo dia. Sei que tenho comigo alguém muito especial. Sei que tenho a vontade de chegar a casa no meu tempo. Nesse caminhar com meu pensamento, nessa abordagem que faço para tantos assuntos e lembranças de tantas pessoas. Na alegria que vem quando eu recordo um rosto amigo, quando vem a lembrança presente do passado. O passado parece estar na minha frente. Quando passo por um estranho e dou risada. Ele não faz idéia o que passa pela minha cabeça. Uma vontade de terminar o livro de Susan Sontag,uma vontade de dançar e ir ao show do Parangolé. Eu hoje entrei na loja e gostei de uma coisa tão bacana de se ver e de pegar: um enfeite de natal. O momento que peguei e apartei e o bichinho mexia as orelhas com seus sininhos...parecia a alegria recolhendo a mão pra me acalcar. Foi um sonho... Já é natal para o comercio... rs! Eu to agora lembrando de você...ta tocando Maria Gadú e bem na nossa música (Tudo diferente). É bacana essa onda de ouvir música e passar você na minha cabeça bem no momento. Eu to doidinho com cê. Outro dia entrei no banheiro do shopping e escrevi lá dentro sobre o dia no café Portela. O instante em que estava sozinho na varanda daquele café vendo você conversar com o baterista da banda. A maneira como contava os casos. Depois você me comendo com os olhos. Seus olhos são famintos por mim. São esses pensamentos que vem na minha cabeça agora. A minha balada você sabe qual é e onde é. Disto tenho certeza que você sabe. Não preciso entender sua mente, mas sou um cara deslocado, estranho, mas presente. Tenho uma burrice comigo que me incomoda e insiste em estar sempre presente. Ninguém tem nada de bom sem sofrer incômodo. Algo arranhando na alma e buscando a cura. Ontem vi uma coruja. Tenho medo da maneira como a coruja para no ar. Uma vez na praia eu vi uma. Bem, preciso dormir para poder despertar amanhã. Preciso de um tom, das coisas que cabem ainda dentro dessa nova felicidade... Ler poemas pra você e fazer sexo logo depois. É tanta coisa que ainda pode caber. Meu novo tudo de bom. A esperança é preservada. Cores e imagens, aquarela de pensamentos. Não quero te perder!


P.s: Defendo-me aqui através das palavras, se é que você me entende. E se ele um dia souber que você é que é o meu ioiô  de iaiá ?

domingo, 11 de outubro de 2009

O que parece estático, espera.


Dormi ontem ouvindo o barulho da chuva. Casa completamente escura e a janela do quarto permaneceu aberta para que o vento pudesse fazer sua ronda. Não que eu queira fazer com que Salvador pareça com Belo Horizonte, é ridículo isso, contudo ontem dormir acreditando estar na linda Beagá.

Acordei ainda com o barulho da chuva. Eram pingos melódicos numa manhã cinza. Vontade de preparar café ouvindo jazz. O cheiro, os amigos reunidos num café o entusiasmo de Soninha para sair em finais de semana, enfim, tudo isso amanheceu comigo. Soninha e eu ainda vamos viver coisas que estão pra nós lá na Europa. Sinto isso forte. É um pensamento tão bem colorido dentro de mim. A coisa mais fina do mundo é o sentimento. É muito forte tudo isso que sinto agora. São fragmentos de momentos que vivi; momentos no Café com Letras com meus amigos e com a magia gostosa das noites daquela cidade.

Ando lendo muito Adélia. Bagagem anda sempre comigo. Às vezes andando estou lendo. Deixo a palavra me encher a alma. A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda, foi inventada para ser calada. Manhã de domingo, chuva, música, café e poesia. Pensamento só faz viajar pra minha casa... Era nessa hora que minha mãe começava a preparar o arroz, feijão, angu e taioba com ora-pro-nobis. Já à tardinha desse mesmo domingo sentávamos nos fundo da casa com faca e uma bacia de laranjas. Era uma tarde toda rindo e contando casos bobos da vida. Tudo com muita cor e muito cheiro. Alimentada a casa, os amigos ali presentes e a alma que enxerga longe. Basta eu fechar os olhos e tudo aparece. É muito sô e bons uai.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O entendimento do ser humano x ser peão



Se alguém quiser passar uma temporada no inferno sem sair de casa, basta ser vizinho de um prédio em construção com prazo atrasado de entrega. Todos os que já se viram condenados a tal destino – e, por causa dele, consideraram a idéia de trucidar alguém ou de se matar – sabem disso. O apartamento treme, as janelas vibram, os vidros trincam e os órgãos do infeliz parecem desprender-se dentro do organismo.
Não adianta aplicar algodão às orelhas, trancar as janelas, calafetar as frestas e ligar o ar-condicionado – as batidas entram do mesmo jeito.
...as 7:00 da manhã ( em Salvador e 6:00 nos demais Estados com horário de verão) começou o barulho da obra que tem atrás do prédio.
Fui à janela dei um assobio e falei com o peão:
_Senhor, por favor, dê uma olhada nas horas?
Ele responde:
_Você tem que falar com o encarregado?
Veio o encarregado, Edmilson, e com toda falta de trato pra lidar com pessoas disse uma série de frases que me fez pensar no significado da palavra peão:

Eu to aqui desde 6:00 da manhã.
Eu não posso fazer nada, já fizemos tanto barulho e agora o senhor vem reclamar?
Temos prazo pra entregar a obra

Depois dessas frases remete-se ao senhor do maquinário e o manda retornar me dando as costas e prosseguindo o trabalho. O que me fez acreditar que são de fato peões.
Chamam de "Peões" , em alusão aos peões do jogo de xadrez, que são responsáveis apenas para o trabalho (no jogo eles são responsáveis no movimento do jogo = trabalho), mas sem maior importância intelectual ou de decisão no jogo (como a rainha, o rei, bispo, etc). Na verdade é um adjetivo bem preconceituoso que visa simplesmente ofender. O termo também é utilizado aos que trabalham com animais.

A paciência me fez uma visita após isso e vim tentar acabar com o sentimento escrevendo. Pra não ser necessário ligar pra policia, não ser necessário eu gritar e mandar o encarregado pra casa do caralho, não ser necessário matar.Escrever pra buscar o entendimento. Buscar um alívio de não deixar isso me tomar o dia. A falta de tato dele comigo é a resposta para essa minha busca. Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? Procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave e ainda não descobri qual é. Quero é não perder o meu humor diante das coisas.
Quando nos damos conta de que falta alegria em nossa vida é preciso refletir se não vivemos reclamando de tudo: custo de vida que está alto, o aumento do salário que não veio, o desemprego, a violência urbana, a falta de decência de muitos governantes, o descaso com a saúde pública, a miséria, a tragédia e tudo o mais que nos incomoda e entristece: como esses barulhos logo cedo.

Simplesmente aqui minhas palavras, um desabafo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Biscoitos fragmentados



Acordei e fui à padaria, coloquei a água do café enquanto saí pra comprar as coisas para o café da manha. Ainda não falei com ninguém... Na padaria cumprimentei todos com gestos... Depois fiz uma seqüência de tarefas que sempre esqueço de fazer quando estou em casa: coloquei água na geladeira e também na forma de gelo, espremi laranjas,lavei todas as louças sobre a pia, retirei o lixo do banheiro. No som da casa tocava Bebel Gilberto.
Uma manha de terça se iniciava com tarefas que até então eu não dei conta de que era preciso fazer logo cedo. Da janela vejo um pintor dançar o arrocha... Da janela percebo o dia quente que se inicia. Alma serena e tranqüila. Enquanto passava o café me deliciava com o cheiro do pó que se espalhava pela casa. Um verdadeiro prazer pra mim fazer e tomar café... Só quando estou só escuto meus conselhos e saio do fundo de mim. É sempre preciso me arremessar longe de todos e estar nessa situação de ficar em casa sozinho com essas tarefas do dia a dia.

Pausa para o trabalho, não tive tempo de parar para almoçar.

Sai do trabalho e vim caminhando pela rua. Para não ouvir o barulho do transito, coloquei o ipod e vim cantando até minha casa. Curto andar a pé. Gosto de produzir uma trilha sonora pra cada lugar, que passo e vejo. Criar situações e sensações diferentes.
Cheguei em casa tirei a roupa, tomei um bom banho e deixei que o ambiente ficasse ainda escuro. Sinto uma paz na escuridão. Enquanto me banhava ao fundo conseguia-se ouvir de algum aparelho de som a música de Chico Buarque. O meu coração parece que perde um pedaço, mas não me leve a sério. O som de Chico preenchia todo o ambiente inebriando os corações que por ventura estivessem por se apaixonar. A casa depois de um dia de trabalho. Quando estamos a sós com nossos pensamentos no silencio de uma casa.
Fazendo o café na cozinha deixei o biscoito cair. O biscoito caiu e fez um barulho que nunca havia reparado. Estava aberto para aquele barulho. Foram quatro partes no chão. No momento em que o biscoito caiu e fui apanhá-los; pensei no meu amor. Imaginei como seria diferente se você estivesse aqui. Senti uma pulsação atravessada, como se do nada fosse o meu coração que estivesse ali no chão partido. Ora Antonio, biscoitos no chão comparado a coração? Sim, minha casa foi invadida por esses fragmentos estraçalhados, o que era inteiro agora são partes. Tentei junta-los, mas como? Não sei explicar talvez fosse uma necessidade escrever essas palavras só pra não passar em branco. Fico nostálgico, me aperta a garganta lembrar aquelas pessoas que agora são apenas lembranças de dias felizes que infelizmente não vão voltar. Tudo tão gostoso e tão com cheiro, cor, textura, fragmentos e pensamento.