segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cuide de você.



Reencontrei uma grande amiga que não via há muito tempo. Cintia é o nome dela.
Fiquei o fim da manhã a ver o mar com ela e a soltar palavras sobre nosso passado. Era uma manhã bonita, de céu muito azul. Mais tarde fomos ao MAM ver a exposição de Sophie Calle (Cuide de você). Para além de ver essa bela exposição o ponto alto foi ficar conversando mineiramente no café próximo ao píer tomando um cappuccino bem amargo, num sol de quase 35º graus. Eu adoro café seja em dias quentes ou frios!

Agora de cueca em casa abro uma cerveja e ando pela casa. Pensando como seria se não tivesse a arte para preencher esse leva e trás da vida. Esse faz e refaz diário Como foi bom re contar historias e vê-la bela e feliz com o casamento. Conheço tantas mulheres que amam demais, de menos e outras tantas que não amam. Mulheres em busca da tal felicidade e de amores como no século XIX. Fico muito feliz por ela. Por esse novo ciclo. O amor abre os olhos e a paixão cega. Cintia estava de olhos bem aberto nesse dia.

Abençoa Senhor o nosso ofício e nos daí sempre a oportunidade de folgar e passar algumas horas em frente ao mar dizendo amenidades e no caso de Cíntia, algumas futilidades da moda (rs). Vontade de dançar um samba sincopado agora: vou ali ligar o meu ipod e volto.



domingo, 22 de novembro de 2009

Do que sinto nao ignoro


Hoje nosso encontro foi distante.
Fiquei ali longe em pensamento
Apenas fitando- o
Imensidão de azul
Feliz e apavorado


Deslocado no mesmo lugar

Com todo aquele barulho
Com toda aquela braveza.




O azul como algo profundo demais para ser compreendido e comunicado.

Existe um mundo em mim que é totalmente diverso de qualquer mundo de que já tenha ouvido falar. Um olhar singular meu. Algo exclusivo e que é ,de certa forma também, meu. Aqui eu exponho meu mundo. Eu não desperdiço jamais minha vida, passo quietinho por ela aproveitando esses momentos de poder saborear bons pensamentos na praia.



"Quem vem pra beira do mar...nunca mais quer voltar"



quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sai da minha frente,que eu quero é sambar!




Não sei sambar.

Sou apenas um corpo físico buscando um equilibrio pra dança.

O que sei mesmo é admirar o corpo remexendo... um samba boliçoso que faz a gente ficar tomado pelo batuque pelo surdo e tamborim.

Eu adoro ver baiano dançar...

E quando vc me ver quebrando nao pense que estou dançando. É algo maior.Minha alma esta em festa diante da cidade que dança e que faz festa pro mar.




terça-feira, 17 de novembro de 2009

De estar perto de você e entrar no mar




Ruas do Pelourinho, um show de Maria Gadú. Um coração cheio de esperança do que estar por vir. Entramos num belo casarão e da janela, o melhor da noite foi avistar a chuva caindo em sobrados antigos. A vida tava ali. Uma chuva bem gostosa, roubando o barulho daquela casa. Você ali comigo era, também, vida. Pernoitaria ali naquela casa para não cortar a inspiração.
Gosto do teu silencio e fico admirado com as tagarelices do teu olhar (teu olho que brilha e não pára). É pra você que decorei aquela canção. Uma luz forte abre o dia e me enche de alegria. E é tudo por dentro. Explodindo tudo e criando o que chamamos... Bem chamamos de que mesmo? É inexplicável o nome disso, sei que isso não tem nome. E não quero dar nome para esse sentimento que sinto. É coisa pra ser sentimento mesmo. É particular. O apego não quer ir embora, diacho... Ele tem que querer!

“Não sei, mas sinto, uma força que embala tudo
Falo por ouvir o mundo, tudo diferente de um jeito bate”

Precisava ficar tonto. A vida fica mais molinha. Fica mais leve agüentar a distancia dos meus queridos amigos mineiros. Não sinto falta de viver lá, mas saudade eu sinto. Eu amo Salvador, amo poder ver o mar desta cidade. Amo as coisas que você vem me mostrando e que de certa forma coloca um grande sentido em tudo na minha vida. O detalhe que meu coração atentou foi quando estávamos, já no estacionamento, saindo pra Baixa do sapateiro e você começou a cantar em francês:

Te oferecerei
Pérolas de chuva
Vindas de países
Onde nunca chove;
Escavarei a terra
Até depois da morte,
Para cobrir teu corpo
Com ouro, com luzes.
Criarei um país
Onde o amor será rei,
Onde o amor será lei

Já em casa, tonto e com você ao lado no seu espaço da cama. Ah como tem um sentindo você perto de tudo isso. Os dois demasiadamente cansados, lentos e a noite cessava ali para nós. A cidade estava toda lá fora, com pessoas falando sem ouvir umas as outras, sem parar procurando um lugar para encontrar fuga para suas frustrações, entrando e saindo de vários lugares, comendo coisas, antes que o dia acabe. Aquela coisa de querer compensar os dias perdidos. Aquela coisa de continuar tentando...
E assim essas lembranças me protege do nada e a vontade de querer sempre te encontrar protege a esperança do encontro.

Todas as cartas de amor são ou não,ridículas? (rs)

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Sem aspas,digo o que penso.


Sinto que nem sempre o que existe é o que se pode ver. Há muito mais de invisível no que vive plenamente em nós.O que eu gostaria de dizer é que tirando as verdades imutáveis, os valores que não pertencem a todos e se tratando de vida tudo é sempre imperfeitamente mutável, tudo varia, tudo tem outro lado, uma outra cara, outro caminho. E tudo depende de como você quer enxergar e dizer para as pessoas.


Estava louco andando no shopping esperando a escrita chegar. Não havia criação, mas uma grande vontade de escrever me coçava a alma. Não conseguia ver ninguém e parava em frente as vitrines para pensar, sem prestar atenção aos produtos expostos. A escrita não se cria, ela nasce. No meio da tarde um e-mail me dizia algumas verdades pela desculpa de me cobrar algo. Respeito qualquer forma de pensamento. Lí várias vezes e tentei entender o que havia por trás de cada linha. Para além da cobrança de uma dívida. Em casa a vontade de escrever me provocava novamente. Eis então a tentativa:


É a  terceira vez que tento escrever alguma coisa, e no terceiro parágrafo me deparo com a falta de criatividade e apago tudo. Acho que algo se foi. Algo que me era extremamente caro se perdeu. É como se as idéias ficassem confusas e cada vez mais distantes. Uma paz interior que me ungia o corpo esvaneceu pelo ar. Vontade de sair louco pelo mundo em busca da reinvenção da minha vida.
Não quero continuar o mesmo ciclo anterior de desejos insólitos e toda essa teimosia e frivolidade pretendo abandonar. E não quero mais me jogar nos braços do mundo para curar coração partido.Quero ver se acho em algum lugar perdido sei lá onde. Quero a ordem correta das coisas do mundo. O lugar das minhas verdadeiras coisas. Quero ver se me acho refletido em qualquer coisa que não sejam os olhos de outro. Não gostaria de falar disso quando iniciei o texto. Não sei do que gostaria de falar. Na verdade as coisas que eu quero dizer ficam presas entre meu sorriso. Quero uma porção de outras coisas que preciso anotar pra não esquecer, e nunca anoto.Mas, das constatações que venho fazendo a algum tempo, a melhor sem dúvida é " sempre tem um dia depois do outro" E, sério, isso serve pra tudo. Tanto para as dívida do cartão de crédito quando para um término de uma relação. Só que diferente do cartão de crédito que só aumenta o valor da sua fatura, o término da relação tende a diminuir o valor que a pessoa em questão tinha(salvo exceções).Ouço claramente as batidas do coração leviano, que, como diria Paulinho da viola "trama em segredo teus planos, parte sem dizer adeus." O importante é que entre mortos e feridos salvaram-se todos. Escapamos ilesos do mergulho que demos em nós mesmos quando nos deparamos com um relacionamento.Estou com a escrita um pouco morta hoje. O valor que estas palavras têm se perdem no momento que deixam minha cabeça. Por que agora não há ninguém para tomar uma comigo, nem comer pipocas vendo filmes. Por que pra mim não há como medir o valor que tinha o coração que se ligava ou ao meu. Não há. Como medir o tamanho da dor ao me ver novamente como ser-humano que sou: sozinho, no lugar que chamamos de casa.