
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
Como se a felicidade recolhesse a mão.

Hoje tive uma dor de ouvido. Nunca tive essa dor. Tive uma crise de histeria, a loucura tomou conta de mim a dois dias do começo do verão brasileiro. Eu não fui ao trabalho no dia fundamental de venda. Estava com um buraco na minha frente (e quase caindo nele) procurando qualquer migalha ou lasca que me devolvesse a vontade de continuar vivendo em paz.
A correria me fez pensar no momento em que estou passando: tudo é correria, não há planejamento. Me falta é tempo.
Não me preparei para o natal (ainda), nem sei onde e com quem passar. Estranho essas coisas que acontecem na vida da gente e que tiram a gente da rotina. A vida põe a gente no lugar pra chorar, de repente não há leveza nos dias em que pensamos que tudo é muito duro. Eu não consigo fazer oração pra santo algum. Vou sentindo dor e tentando ganhar dela a experiência que é necessária pra continuar levando a vida. Impossível fazer qualquer movimento com a cabeça, tudo provoca verdadeiro choque de horror, uma fisgada na mente, uma dor que chegava a loucura. Queria disfarçar essa dor, mas não conseguia. A expectativa era a chegada do momento em que encontraria a paz. A dor é de fato um momento de Guerra no corpo da gente. É uma luta.
Hoje o tempo todo ouvia um apito longo no meu ouvido. Sentia que estava gritando pra falar e perdia a paciência por conta da dor que era forte. Chegando ao hospital, ainda no balcão de atendimento apareceu um jovem de olhos bem abertos parecendo uma piscina suja, sem brilho. Ele disse exatamente assim pra atendente:
- Moça, eu usei cocaína e cerveja a noite toda, meu corpo esta formigando e preciso de atendimento rápido. Minha família esta toda vindo ai atrás e preciso de sigilo.
Pois é, acredito que somos todos assim. Cada um vai até onde consegue. Vivemos a procurar uma solução para estancar as nossas dores. Ela às vezes não passa da ilusão que criamos no outro. A gente chega ir até a beira e afrouxa, chega a pensar que não vale a pena. Recomeçamos. Um queira e não queira. Uma chuva que passa. Um bloco que arrasta. A vida não tem graça. É uma historia cheia de vírgulas e nada de ponto. Não tem fim até que venha a morte. É um viver de planejar: um passo e um gesto de atitude mundo afora. E ponto.
A correria me fez pensar no momento em que estou passando: tudo é correria, não há planejamento. Me falta é tempo.
Não me preparei para o natal (ainda), nem sei onde e com quem passar. Estranho essas coisas que acontecem na vida da gente e que tiram a gente da rotina. A vida põe a gente no lugar pra chorar, de repente não há leveza nos dias em que pensamos que tudo é muito duro. Eu não consigo fazer oração pra santo algum. Vou sentindo dor e tentando ganhar dela a experiência que é necessária pra continuar levando a vida. Impossível fazer qualquer movimento com a cabeça, tudo provoca verdadeiro choque de horror, uma fisgada na mente, uma dor que chegava a loucura. Queria disfarçar essa dor, mas não conseguia. A expectativa era a chegada do momento em que encontraria a paz. A dor é de fato um momento de Guerra no corpo da gente. É uma luta.
Hoje o tempo todo ouvia um apito longo no meu ouvido. Sentia que estava gritando pra falar e perdia a paciência por conta da dor que era forte. Chegando ao hospital, ainda no balcão de atendimento apareceu um jovem de olhos bem abertos parecendo uma piscina suja, sem brilho. Ele disse exatamente assim pra atendente:
- Moça, eu usei cocaína e cerveja a noite toda, meu corpo esta formigando e preciso de atendimento rápido. Minha família esta toda vindo ai atrás e preciso de sigilo.
Pois é, acredito que somos todos assim. Cada um vai até onde consegue. Vivemos a procurar uma solução para estancar as nossas dores. Ela às vezes não passa da ilusão que criamos no outro. A gente chega ir até a beira e afrouxa, chega a pensar que não vale a pena. Recomeçamos. Um queira e não queira. Uma chuva que passa. Um bloco que arrasta. A vida não tem graça. É uma historia cheia de vírgulas e nada de ponto. Não tem fim até que venha a morte. É um viver de planejar: um passo e um gesto de atitude mundo afora. E ponto.
Vou tratar minha dor:
O tratamento requer o uso de antibióticos e analgésicos. Em dois ou três dias, a febre desaparece, mas a audição pode leva mais tempo para voltar ao normal. Se a perda auditiva não regredir, pode ser sinal de secreção retida atrás do ouvido médio, que será retirada cirurgicamente através de uma pequena incisão no tímpano .
domingo, 13 de dezembro de 2009
Procura-se um diretor de cinema...

Estava com uma ilusão e há tempos pensara o que fazer com ela.
Outro show de Maria Gadú e uma canção pra embalar dois corações. Olhei na sua alma e cantei. Deletei todos que estavam a minha volta. É foi-se. Era uma terça feira com lirismo. Havia um céu com uma bela lua para a ciência que fazia concentrada e nutrida, longe dos grandes temas do mundo. Éramos feitos de bastantes.
Era o momento super 8 da minha vida contigo. Tudo ali remetia um filme. Preste atenção aos detalhes:
1- Eu cansado no carro e você me dizendo se não era melhor voltar pra casa.
2- O momento do furar fila e tomar uma cerveja de virote.
3- Entramos; alguém precisa ir comprar cervejas.
4- A gente ganhou pulseiras de camarote.
5- A nossa cena no camarote... rs
6- A expectativa para o show e o momento em que a atração não era a que esperávamos.
7- A volta desmotivada para o fundo do palco.
8- Até o momento em que deixo de olhar pro palco e fixo em outro ponto: você.
Outro show de Maria Gadú e uma canção pra embalar dois corações. Olhei na sua alma e cantei. Deletei todos que estavam a minha volta. É foi-se. Era uma terça feira com lirismo. Havia um céu com uma bela lua para a ciência que fazia concentrada e nutrida, longe dos grandes temas do mundo. Éramos feitos de bastantes.
Era o momento super 8 da minha vida contigo. Tudo ali remetia um filme. Preste atenção aos detalhes:
1- Eu cansado no carro e você me dizendo se não era melhor voltar pra casa.
2- O momento do furar fila e tomar uma cerveja de virote.
3- Entramos; alguém precisa ir comprar cervejas.
4- A gente ganhou pulseiras de camarote.
5- A nossa cena no camarote... rs
6- A expectativa para o show e o momento em que a atração não era a que esperávamos.
7- A volta desmotivada para o fundo do palco.
8- Até o momento em que deixo de olhar pro palco e fixo em outro ponto: você.
O filme então começa agora:
Precisava daquele exato momento pra cantar a canção. Por um momento me perguntei se não era demais desenhar coisas na cabeça. E por vários momentos quis com que a tal coisa acontecesse de fato como planejado. Sei que tudo que eu queria era tentar e vê-lo feliz. Eu apenas tomei cervejas pra tomar coragem. E a ilusão se foi. Virou minha realidade:
Foi tudo muito rápido como um relâmpago na noite escura. Vi tudo completamente claro na minha frente e por poucos segundos tudo estava silêncio, escuridão e mais nada.
Aquilo era bom, porque fazia seu coração bater mais forte, porque lhe trazia uma sensação de alegria. Eu te vi suspenso no ar. Eu te vi feliz. A felicidade estava naquela hora bem perto da gente.
A leveza de cada um e a disposição de enxergarmos o que ficou lá naquele show. Eu latejando como um músculo do peito "jogado" na sua frente, fresco e pulsante. E para continuar a viver bater, é preciso tempo.
Obrigado pelo show!
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Ser ou não ser apenas viver.

Eu gosto de ouvir música.
E gosto de dançar pagode.
Eu gosto de ler os clássicos.
E gosto de falar bobagens.
Eu gosto de escrever.
E gosto de viver a vida.
Eu gosto de estar presente.
E gosto de ficar em casa.
Eu não gosto de televisão.
E gosto de ser ator da minha própria vida.
Viver a vida é muito mais que uma novelinha de Manuel Carlos
E gosto de dançar pagode.
Eu gosto de ler os clássicos.
E gosto de falar bobagens.
Eu gosto de escrever.
E gosto de viver a vida.
Eu gosto de estar presente.
E gosto de ficar em casa.
Eu não gosto de televisão.
E gosto de ser ator da minha própria vida.
Viver a vida é muito mais que uma novelinha de Manuel Carlos
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
A dificuldade de continuar vivendo do presente

Eu nunca gostei de galinhas. Não sei por que estou iniciando o texto com essa frase, mas tenho vontade de um dia cortar um frango em partes. Um exercício para tentar curar meu trauma, meu nojo por esse bicho. Meu pai criava galinhas e amava disputar brigas de galo. Sempre odiei pombos, animais que tem asas me deixam um pouco inquieto. Penas não me atraem. Lembro de uma conversa com minha amiga Helena no MSN. Ela dizia odiar o galo do vizinho porque ele cantava todos os dias às 04 da manhã. Falei da poesia de ouvir um galo cantar, mesmo assim ela dizia que não via poesia nisso. Coisas da modernidade. Lembrança de João Cabral:
“um galo sozinho, não tece uma manhã”
Quando estamos predispostos a lembrar, tudo nos faz lembrar. O calor dos últimos dias me trouxe a lembrança forte do meu pai. Meu pai tinha essa doce mania de viver das lembranças do passado. Mais do que planos e projetos para o futuro ele sentava comigo no portão de casa, sempre com um radinho de pilha (porra, como isso era bom!) me contando casos. Deve partir daí minha melancolia em certos dias.
Vejo-me às vezes deslocado durante o dia. Certa vontade de parar e escrever e ver a vida passando, observando o comportamento dos outros. Mas parado. Estou deslocado e me sinto justamente o elefantinho que minha amiga Delana descreveu num de seus textos. Falara da entrada dele de patinetes numa loja de cristais. Eu me sinto assim no mundo... Desajeitado. Correndo, procurando encontrando pessoas e me debatendo com tudo e todos. Mas eu quero o contrário disso. Quero não ficar nessa corrida da grande extensão do nada. A poesia e a música me acalmam. Apenas isso me conforta nessa onda de justificar tudo pra todo mundo o tempo todo. É necessário ficar numa cadeira cativa da vida pra apreciar as belezas desse mundo. É preciso buscar meu pai lá no pretérito, com suas conversar. Cumprida história que não acaba jamais.
Acordo e antes mesmo do meio dia me vejo transformado.
“um galo sozinho, não tece uma manhã”
Quando estamos predispostos a lembrar, tudo nos faz lembrar. O calor dos últimos dias me trouxe a lembrança forte do meu pai. Meu pai tinha essa doce mania de viver das lembranças do passado. Mais do que planos e projetos para o futuro ele sentava comigo no portão de casa, sempre com um radinho de pilha (porra, como isso era bom!) me contando casos. Deve partir daí minha melancolia em certos dias.
Vejo-me às vezes deslocado durante o dia. Certa vontade de parar e escrever e ver a vida passando, observando o comportamento dos outros. Mas parado. Estou deslocado e me sinto justamente o elefantinho que minha amiga Delana descreveu num de seus textos. Falara da entrada dele de patinetes numa loja de cristais. Eu me sinto assim no mundo... Desajeitado. Correndo, procurando encontrando pessoas e me debatendo com tudo e todos. Mas eu quero o contrário disso. Quero não ficar nessa corrida da grande extensão do nada. A poesia e a música me acalmam. Apenas isso me conforta nessa onda de justificar tudo pra todo mundo o tempo todo. É necessário ficar numa cadeira cativa da vida pra apreciar as belezas desse mundo. É preciso buscar meu pai lá no pretérito, com suas conversar. Cumprida história que não acaba jamais.
Acordo e antes mesmo do meio dia me vejo transformado.
* foto colagem do blog de Delana:
http://gelobaiano2.blogspot.com/
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