domingo, 30 de maio de 2010

Trio ternura...







O Sol, o ventilador e eu...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Enquanto eu andar distraído


Eu hoje poderia ter comprado o livro de Lygia Fagundes Telles. Deveria ter caminhado a pé pela orla vendo o mar. Hoje devia ter ido ao museu, devia ter comido menos carboidrato, ter comido mais fibra. Hoje, devia ter dormido menos, ter feito sexo, ter dado mais atenção, ter respirado mais fundo. Deveria ter ligado pra você no meio da tarde. Deveria ter sido mais romântico. Devia ter acreditado que podia. Hoje poderia comprar a mesa que falta aqui em casa. Poderia ter ido ao cinema ver o novo filme do Woody Allen. Poderia ter tomado mais suco de laranja. Hoje poderia ter acordado no horário. Poderia ter evitado bater com o pé na quina da cama. Poderia ter desligado a torneira enquanto eu escovava os dentes. Poderia ter lembrado de carregar o celular. Poderia ter ido comer no restaurante que mais gosto. Poderia ter feito minha matricula para o curso novo. Poderia ter ido a queima de ofertas das casas Bahia. Poderia comprar uma cuequinha Calvin Klein. Poderia ter gritado com a moça do shopping que jogou papel no chão. Poderia ter levado meu moletom para não sentir frio com o ar condicionado do ônibus que pego pra voltar pra casa. Poderia ter conversado mais com os homens que ficaram mais de 4 horas aqui no apartamento montando o armário. Poderia ter dançado o hit “Single Ladies” (Put A Ring On It) mesmo não sabendo a coreografia. Poderia ter comido toda a caixa de bombons que tenho nesse apartamento. Poderia ter ligado para um amigo. Poderia ter dado um beijo na testa da senhora que trabalha na limpeza da loja. Poderia ter desligado alguém por baixo desempenho nos processos da loja. Poderia não ter entrado no MSN e não ter tido aquela conversa. Poderia ter criado mais frases, ter acreditado em mais coisas, ter contestado outras que deixei passar.
Hoje eu gostaria de gritar na varanda palavrões ao mundo. Queria conversar com você em francês, só em francês. Gostaria de escrever sobre o amor,sobre a dor de estar longe de você. Gostaria de ser forte, de ser gato pra cair em pé. Gostaria de ser sexy, de gostar de TV pra ficar sentando parado e calado sendo alienado. Hoje gostaria de gritar com a moça do caixa porque ela atende todo mundo sem dar atenção. Gostaria de bater no dono de uma Tucson que estacionou seu carro no passeio. Hoje, devia ter caído em mim, ter aceitado a chuva sem me proteger. Hoje devia ter olhado nos olhos, devia ter cantado músicas de Chico. Ter feito as malas, devia ter achado os caminhos, ter descoberto os segredos que me escondo. O acaso há de me proteger...

terça-feira, 18 de maio de 2010

Apenas Mar


Quantas ondas quebrarão diante dos meus olhos?
Toda manhã bem cedo vou caminhando até o final da rua aqui de casa.
Lá está o Mar.
Pra começar o dia.
...
Me sinto um menino.O mais esperto do mundo.
Esperto por saber olhar e, olhando
Não penso em mais nada...

Apenas a espera do azul.

Se essa rua fosse minha


O que quero escrever está perdido. Não consigo encontrar a palavra certa no meio dessas tantas caixas espalhadas nesse apartamento. Nesse apartamento no delicioso bairro do Rio Vermelho, preciso sempre dizer isso quando estiver me referindo á este espaço. Quero que o fato de morar nesse espaço fique marcado na história da minha vida. Sempre percebi que grandes escritores sempre estão associados as cidades onde viviam. O Rio é de Machado de Assis, Lisboa é de Pessoa, Buenos Aires de Borges e a Bahia é de Jorge Amado. Sempre dele, amado. Agora meu olhar para este novo espaço... Agora já consigo perceber. As palavras começam a surgir a cada caixa aberta. Onde percebo objetos que fazem partem da minha história. Agora tua foto na minha mão. Um livro seu esquecido no chão figurando entre tantos outros livros. Muriel Barbery lado a lado com Allan Poe. [Risos] Começa um universo de palavras dentro desse apartamento. As palavras só não vieram por que estavam ocupadas vigiando meus impulsos.

Sei que você esperou por estas palavras por muitos dias, na esperança de que elas aliviariam a minha dor, a minha impaciência diante da desordem. Que desordem? Livros espalhado pela casa nos possibilitando uma leitura furtiva a todo o momento? Revistas com ensaios sobre assuntos de grande interesse? Música pelo quarto o tempo todo... Uma letra nova cantada para você. Tudo aqui esta cheio de letra, música e poesia. O que era vazio agora vem sendo colonizado. Plantamos nossa bandeira nesse novo espaço. Plantamos alma. A verdadeira casa é aquela que lançamos pela primeira vez um olhar inteligente sobre nós mesmos. Aqui nascerei de novo, mas agora do meu jeito. E você faz parte disso.

domingo, 16 de maio de 2010

Para estar do lado sem pesar com a presença...


Não quero você. Quero o ideal.

Não quero ir, nem quero dormir. Quero-te aqui o tempo todo, o sonho. Não quero ler na tela suas declarações escondidas, entrecortadas. Tampouco quero a poesia concreta do livro. Quero sentir, quero a poesia abstrata e viva, aquela do olho, do brilho. Não quero ouvir. Quero participar. Da tua voz quero o sotaque, quero sussurros. Não agradecimentos descabidos, mas a alegria muda do reencontro inesperado. Não quero certeza, nem quero saber de nada. Quero descobrir, conhecer e ser desvendado. Não quero a desconfiança, o vazio. Quero a partilha, a troca, entendimento – o silêncio cúmplice. Aliás, nem isso. Quero barulho, música alta, sua risada ainda mais, quero diálogo, debate, briga. Não quero o prazer fácil, nem a espera. Não quero pedir, quero implorar, agora, com entrega. Não quero o medo, quero resposta. Não quero profundo, prefiro o raso clichê, o café da manhã na cama, conversas ao amanhecer. Não mais as mesmas quatro paredes, quero mais noites sob a lua, ouvir o mar e sentir a brisa.

Não quero a verdade, nem tantas mentiras. Só quero aquela única permitida, a paixão.

Não quero, eu preciso.