quinta-feira, 30 de junho de 2011

Felicidade se acha é em "orinha" de descuido.


“Ser alegre (muito melhor do que ser feliz) é gostar de viver mesmo quando a vida nos castiga”

Quando eu era criança ou adolescente, pensava que a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto, ou seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono exclusivo do meu nariz.
Contrariando essa minha previsão, alguns adultos me diziam que eu precisava aproveitar bastante minha infância ou adolescência para ser feliz, pois, uma vez chegado à idade adulta, eu constataria que a vida era feita de obrigações, renúncias, decepções e duro labor.
Por sorte, 1) meus pais nunca disseram nada disso; eles deixaram a tarefa de articular essas inanidades a amigos, parentes ou pedagogos desavisados; 2) graças a esse silêncio dos meus pais, pude decretar o seguinte: os adultos que afirmavam que a infância era o único tempo feliz da vida deviam ser, fundamentalmente, hipócritas; 3) com isso, evitei uma depressão profunda pois, uma vez que a infância e a adolescência, que eu estava vivendo, não eram paraíso algum (nunca são), qual esperança me sobraria se eu acreditasse que a vida adulta seria fundamentalmente uma decepção?

Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: 1) quando a gente é criança ou adolescente, a felicidade é algo que será possível no futuro, na idade adulta; 2) quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi: a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes.
Em suma, a felicidade é uma quimera que seria sempre própria de uma outra época da vida -que ainda não chegou ou que já passou.
No filme de Arnaldo Jabor, “A Suprema Felicidade”, que está em cartaz atualmente, o avô (extraordinário Marco Nanini) confia ao neto que a felicidade não existe e acrescenta que, na vida, é possível, no máximo, ser alegre.
Claro, concordo com o avô do filme. E há mais: para aproveitar a vida, o que importa é a alegria, muito mais do que a felicidade. Então, o que é a alegria?
Ser alegre não significa necessariamente ser brincalhão. Nada contra ter a piada pronta, mas a alegria é muito mais do que isso: ser alegre é gostar de viver mesmo quando as coisas não dão certo ou quando a vida nos castiga. É possível, aliás, ser alegre até na tristeza ou no luto, da mesma forma que, uma vez que somos obrigados a sentar à mesa diante de pratos que não são nossos preferidos ou dos quais não gostamos, é melhor saboreá-los do que tragá-los com pressa e sem mastigar. Melhor, digo, porque a riqueza da experiência compensa seu caráter eventualmente penoso.
Essa alegria, de longe preferível à felicidade, é reconhecível sobretudo no exercício da memória, quando olhamos para trás e narramos nossa vida para quem quiser ouvir ou para nós mesmos. Alguém perguntará: é reconhecível como?

Pois é, para quem consegue ser alegre, a lembrança do passado sempre tem um encanto que justifica a vida. Tento explicar melhor.
Para que nossa vida se justifique, não é preciso narrar o passado de forma que ele dê sentido à existência. Não é preciso que cada evento da vida prepare o seguinte. Tampouco é preciso que o desfecho final seja sublime (descobri a penicilina, solucionei o problema do Oriente Médio, mereci o Paraíso).
Para justificar a vida, bastam as experiências (agradáveis ou não) que a vida nos proporciona, à condição que a gente se autorize a vivê-las plenamente.
Ora, nossa alegria encanta o mundo, justamente, porque ela enxerga e nos permite sentir o que há de extraordinário na vida de cada dia, como ela é.
É óbvio que não consegui explicar o que são a alegria e o encanto da vida. Talvez eles possam apenas ser mostrados: procure-os em “Amarcord” (1973), de Federico Fellini, em “Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas” (2003), de Tim Burton ou no filme de Jabor. “A Suprema Felicidade” me comoveu por isto, por ter a sabedoria terna de quem vive com alegria e, portanto, no encantamento.

Segundo Max Weber (1864-1920), a racionalidade do mundo industrial teria acabado com o encanto do mundo. Ultimamente, bruxos, vampiros, lobisomens, deuses e espíritos andam por aí (e pelas telas de cinema); aparentemente, eles nos ajudam a reencantar o mundo.
Ótimo, mas, para reencantar o mundo, não precisamos de intervenções sobrenaturais. Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir que o verdadeiro encanto da vida é a vida mesmo.

(texto de Contardo Calligaris para a Folha de São Paulo novembro 2010)

Colhendo Saramago


“Eu sei o que é, sei o que digo, sei por que o digo e prevejo, normalmente, as consequências daquilo que digo. Mas não é por um desejo gratuito de provocar as pessoas ou as instituições. Pode ser que se sintam provocadas, mas aí o problema já é delas. A pergunta que faço é por que é que eu me hei de calar quando acontece alguma coisa que mereceria um comentário mais ou menos ácido ou mais ou menos violento. Se andássemos por aí a dizer exatamente o que pensamos - quando valesse a pena -, teríamos outra forma de viver. Estamos numa apatia que parece que se tornou congênita e sinto-me obrigado a dizer o que penso sobre aquilo que me parece importante.”

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Preso em um momento que você não pode sair.








Não gostei daquilo que dissestes. Não gostei de pensar no assunto agora. Chorei a tarde toda. Que coisa mais sem nexo pensar nisso que criei agora a tarde. Justo agora que os meninos estão todos doidos aqui para se jogar na noite da cidade, doidos para se entregar a bebida e celebrar a vida, justo agora pensar nessa idéia que você acredita que vá de fato acontecer. Olhe aqui, o melhor mesmo é curtir tudo. Cada momento e por mais blablabá elaborado que posso parecer a vida precisa é ser contada. Nós já temos uma história pra contar...é isso que importa!

Hoje pensei bobagens demais. Hoje tive fortes lembranças e jamais posso pensar na idéia de não poder dividir o mundo contigo. Sabia que ta cheio de milagres esperando que a gente os descubra lá fora? Basta encontrar a fonte de todas essas pequenas maravilhas. Eu sou feliz tomando café contigo. Feliz quando você toca esse violão e arranja uma canção pra mim. Sou feliz, extremamente feliz quando leio cada palavra de carinho que vc me emite logo cedo. Eu gosto desse seu jeito, respeito e quero muito poder ser um agente transformador de sua rotina. Vou tentar abrir caminhos para você chegar comigo onde eu for ta certo?

Sempre gostei muito de uma canção do U2 que assina o título desta mensagem e hoje justamente neste fim de tarde, lendo no chão da cozinha, pensei em dá-la de presente pra você. Eu já te falei o Tião, o Pocoyo não vivem sem você, divido literatura e música com você, meus amigos são quase todos seus.Justamente é o que sinto, é a coisa mais bonita que sinto. Acredito que seja amor minha neguinha. E jamais penso em usar contigo um verbo no passado. Presente meu.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Uma cicatriz significa: "eu sobrevivi"


Falta uma hora para começar a comemorar meu aniversário. Nesse instante o que marca esse tempo é o livro que estou lendo de Chris Cleave – Pequena Abelha, os ventos fortes que chegaram a Salvador e minha família. Hoje uma amiga minha recebeu um telefonema, relatando a morte de um rapaz novo. Fiquei meio sem chão ao estar do lado dela nesse momento e não sabendo o que entregar, entreguei - lhe o meu silêncio e logo mais tarde o peguei de volta. E esse mesmo silêncio veio comigo do trabalho até agora neste exato momento em casa. Esse silêncio entrou no ônibus comigo, sentou do meu lado, veio ouvindo música no ipod comigo, desceu comigo, entrou comigo no prédio, subiu as escadas comigo, entrou no banho, comeu alguma coisa comigo e me colocou até a cama. Esse silêncio veio comigo até aqui. E me fez pensar em saudade.

Porque o que mais marca esse tempo é a saudade que me atormenta em dias tristonhos e vazios. Triste é quando chega o domingo, triste é quando preciso ligar para minha mãe atrás de uma receita de um bolinho que me resgataria o tempo da infância. Toda tarde era comum ela preparar o tal bolinho para comermos com café quente. Acho que chama bolinho de chuva...

Eu lembrei num desses aniversários quando minha vó Carmelita chegava com um desses bolos simples de padaria e todos meus irmãos vieram atrás pra cantar parabéns. Tudo tão simples e agora, justo agora cheio de significado pra mim. Existe uma infinita sofisticação na simplicidade dos gestos. Como eu queria esse bolo agora, como eu queria todos aqui. Justo agora.

Se pudesse fazer apenas um desejo, queria estar junto da minha família. Queria olhar no rosto de cada irmão meu de uma forma, agora, diferente. Queria estar ao lado de todos e mostrar a cada um deles que eu sempre, sempre mesmo, acabei adquirindo características deles, que era pra eles que eu estava sempre olhando para tentar ir atrás quando chegasse a minha vez. Poxa como é ridículo estar longe de vocês e ficar pensando quando éramos crianças e quando brigávamos por pedaços de pão, por doces roubados na geladeira ou quando um usava a roupa do outro.

Estou aqui sozinho agora no apartamento, talvez pagando de certa forma isso. Essa solidão que me fez vir até aqui relatar esse único sentimento que me abateu nesses quase 25 minutos que faltam para o meu aniversário. Queria convidar aqui Juninho, Fá, Beto e Sheila que considero também meus irmãos. Pessoas tão intensas numa fase onde a gente só tinha uns aos outros para se apoiar. Com toda certeza não tem como não lembrar todos vocês. A gente só leva da vida a vida que a gente leva, todos sempre comigo. Amo todos vocês muito!

Dona Carmela, Seu Geraldo, Pai e Júlio sempre na lembrança...

Agora já é meu aniversário! Felicidade para toda a minha família!!!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Aquele que venera Dionísio

Talvez a desculpa seja a falta de dúvidas, ou o melhor mesmo seja justamente isso. Um descomprometimento com qualquer história, um despreendimento temporal que nos leva a afastar as certezas. Descubro seu rosto sem descobrir coisa alguma. Suas palavras ácidas, tão cheias de música, esbarram nos ruídos das minhas certezas, tão imprecisas. Gosto de ensaiar diálogos imaginários com um outro você, que escorrega para longe do meu alcance. Guardo a sensação de estranheza que me aproximou de você, como instrumentos dissonantes numa batida insistente. É o incômodo de não conhecê-lo que me leva a querer mais e mais desejar (ler) você. Por que não posso pensar em toda essa confusão? Por que não posso simplesmente não pensar?

"Eu ouvi dizer que você assim como quem não quer nada perguntou por mim... agora... logo agora... justo agora... Eu ouvi você me dizer que sim, mas era silêncio que se ouvia, quando dei por mim... agora... logo agora.... justo agora..."


Guardo para você as coisas que não existem. As cartas de amor que nunca vou escrever. Nossas palavras não combinam mais. Meu desejo irrompe de tudo isso que é estranho a mim e nasce agora a partir de você. Não preciso de você, as coisas não precisam de você...


Supõe que já cruzamos pela vida • Mas nos deixamos sempre para trás • Porque eu andava sempre na avenida • E tu corrias pelas transversais • Supõe que num comício colorido • A praça enfim vai nos conciliar • Supõe que somos do mesmo partido • Supõe a praça a se inflamar • Bandeiras soltas pelo ar • E tu começas a cantar • Supõe que eu vibro comovida • E supõe que eu sou tua canção • Supõe que te apresentas como amigo • E me perguntas nome e profissão • Comentas que faz sol ou tem chovido • Ou outro comentário sem razão • Supõe que eu te observo compreensiva • Porém não tenho nada a acrescentar • Supõe que falas coisas desta vida • Como querendo aparentar • Que tu tens muito a contar • Que és um tipo original • Supõe que eu rio divertida • E supõe que eu sou tua canção • Supõe que nós marcamos um cinema • Mas chegas lá pro meio da sessão • Pois teu trajeto tem algum problema • Que só te leva numa direção • Supõe que agora a tela me ilumina • Tu ficas assistindo ao meu perfil • Supõe a minha mão tão recolhida • Que não percebe a tua mão • Que não percebe a minha mão • Que não é sim que não é não • Supõe que eu sigo distraída • E supõe que eu sou tua canção • Supõe que a boa sorte é nossa amiga • E que das três às cinco pode ser • Meu pai acaba de dobrar a esquina • E tu vens me encontrar, enfim mulher • Supõe que sem pensar nos abraçamos • Supõe que tudo está como previmos • É a primeira vez que nos amamos • Supõe que falas sem parar • Supõe que o tempo vem e vai • Supõe que és sempre original • Supõe que nós não nos despimos • E supõe que eu sou tua canção •

Supõe (Supon)
Silvio Rodrigues, Versão: Chico Buarque

Kierkegaard


"Não, o amor sabe tanto quanto qualquer um, ciente de tudo aquilo que a desconfiança sabe, mas sem ser desconfiado; ele sabe tudo que a experiência sabe, mas ele sabe ao mesmo tempo que o que chamamos de experiência é propriamente aquela mistura de desconfiança e amor... Apenas os espíritos muito confusos e com pouca experiência acham que podem julgar outra pessoa graças ao saber."

Memórias de minhas putas tristes

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.

(Memórias de Minhas Putas Tristes - Pg. 74)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sejamos o lobo do lobo do homem


Eu tenho preconceito sim, com jovens que não trabalham, que acordam às 13 horas da tarde, que não tem carro mas sempre sobra um bom modelo de carro na garagem, que acorda já solicitando algo pra empregada enquanto se direciona para o computador ou vídeo game, ou piscina ou pra academia da casa. Disso sim tenho um enorme preconceito... ou seria inveja. Pensando bem isso pode ser a minha inveja, a que gostaria de chamar de inveja preta deixando bem claro que teria que ser o mais alto nível de inveja que alguém pode ter do outro.
Eu tenho preconceito sim, com pessoas que escrevem e falam o português errado e ainda mais com aqueles que dizem que não podemos corrigi-los dizendo que isso atrapalha na estima da pessoa. Disso sim eu tenho um enorme preconceito, dessa gente hipócrita e moralista... ou seria falta de paciência? Pensando bem isso pode ser a minha falta de paciência diante de pessoas que pensam em educação apenas como a figura do professor de pé a frente da sala de aula e todos os alunos sentandos com seus ipod,ipad, prestando atenção em coisas mais interessantes. no ponto de vista deles. Acho complicado e os professores nunca dariam conta.
Eu tenho preconceito sim, contra gays, com pessoas que acham que devemos dar a eles o destaque de ser diferente. Pra mim gay é gente como qualquer outro ser humano [como Pondé coloca] e devia ter os mesmo ônus que uma pessoa normal tem: família, desenvolvimento dos filhos, terem conta de escola pra pagar, ter que levar o filho pra escola, deveriam ter o direito de discutir relação num jantar e passar a vergonha dos gritos do parceiro (a) chamando a atenção das mesas ao lado, de levar o filho pro judô, ir às reuniões chatas desses meninos, deveriam ter menos tempos de ir as paradas gays como roteiro turístico e sim cuidar da educação dos filhos. Falar algo que não seja “eu amo os gays” hoje é em dia é preconceito, todo mundo anda batendo em todo mundo e matando todo mundo. Acho inconveniente dois heteros se beijando em escadas rolantes de shopping center, mas se for dois gays terei que achar lindo? Caso contrário eu tenho preconceito???. Disso eu tenho certeza que tenho um enorme preconceito... ou seria falta de hipocrisia da minha parte? Pensando bem isso possa ser a falta de hipocrisia mesmo, a partir da idéia que acho que gay sofrem do mesmo mal estar que todos nós sofremos nesse mundo solitário e hipócrita em que vivemos. Se gay é lindo, o negro é, o nordestino também tem que ser e o pobre tem que ser sempre limpinho.
Eu tenho preconceito sim, contra os solitários, com pessoas que andam sozinhas, almoçam sozinhas, vão para o cinema sozinhas e vivem vomitando suas taras e frustrações em rede de relacionamento e se desabafando com estranhos na internet. Sim existe um número enorme de pessoas que contam seus mais profundos segredos a estranhos. Disso eu tenho um enorme preconceito... ou seria compaixão?.Pensando bem acredito ter compaixão desse povo que é vitima do sistema em que vivemos onde cada um corre atrás do seu e faz do outro um brinquedo pra aliviar as taras, frustrações da infância e arrimo de dores emocionais. Melhor ser feliz sozinho do que infeliz acompanhado. Pensando bem Tom Jobim saberia lidar com essa questão de que na modernidade é uma questão de sobrevivência aprender a viver feliz sozinho...ah ele sabe.
Eu tenho preconceito sim com a televisão, com esse meio todo articulado que cria um relógio na cabeça das pessoas, que transmitem a mensagem pelo ponto de vista que lhe cabem, que dão salários enormes para um bando de celebridades sem faculdades, que aceleram o consumo e faz você comprar compulsivamente uma coisa que você não precisa. Disso eu tenho um enorme preconceito...ou seria ...bem falar de preconceito até podemos desde que não falemos mal da Rede Globo (e aceitemos o sbt porque Silvio Santos já foi pobre e camelô), dos Negros, dos Gays, dos Nordestinos; aí sim você pode ter todos os preconceitos do mundo e continuar a viver uma vida de faz de conta que ninguém sabe.
"era uma vez um lobo mal que..."

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Penetração profunda.




Um gostoso abraço é a melhor penetração que existe, a da alma.

Um telefone na mão e mil idéias na cabeça.

Eu tenho um telefone na mão e mil idéias na cabeça. Melhor ser direto, tenho apenas um telefone na mão. Não é bom ter idéias na cabeça e nem ficar se contorcendo para saber de que maneira irá acontecer: se vai ser numa noite com o melhor jantar ou o melhor champanhe com a melhor música. Se vai ser como um bom roteiro de filmes hollywoodianos, se vamos projetar aquilo que sempre desejamos numa única pessoa como um bom roteiro de filmes agora não mais hollywoodianos e sim Frances.

Aconteceu nessa manhã num bate papo com Gabi, uma amiga mineira que tenho. Amiga assim do nada, porque a gente se entende demais do nosso estranho jeito. Uma boa conversa logo nesta manhã. Falamos, sobre o nosso egoísmo em usar as pessoas dentro da nossa perspectiva, como chiclete que se mastiga até “dar conta” e depois ficamos num impasse: cuspir ou engolir, porque até quando vou ficar nessa de mastigar "uma coisa" que já perdeu o gosto bom? Comentei que ontem uma jovem parou o carro desgovernadamente em minha frente para chorar e dizia apenas que o namorado havia terminado com ela após 6 meses de relacionamento. Eu poderia tecer um belo texto desta minha conversa com Gabi, mas achei necessário colocar tudo sem cortes. Sem ceninha de filmes, ou como que seja como um daqueles bons filmes na linha Tarantino como em Cães de Aluguel ( só veio esse agora) em que há cenas longas muito boas sem cortes. Abaixo a longa conversa:

Antonio diz:

*e a gente vai levando

*e a gente vai levando

*essa chama!

*mesmo com toda...

*com toda...

Gaby diz:

*....

*Como posso dizer

*tenho pensando muito

*nesses seus sentimentos

*ela habita muitas pessoas...

Antonio diz:

*existe a incompetência para amar

*para se doar

*para ser generoso, paciente com o outro.

*amar não é pra qualquer um...

*a nossa reação é levar...

*a gente não tem cura, pra quem sofre disso.

Gaby diz:

*E vc sabe que já tem um grupo para se curar

*em viciados em amor

*No amor dos primeiros meses

*Não sou volúvel

Antonio diz:

*Mesmo com o todavia, com todo dia

Com todo ia, todo não ia

Gaby diz:

*sou dependente e egoista

*Como diria Djavan

*Estamos todos jurados

... diz:

*mas tem um um amar assim

*a gente se projeta no outro

*até ele dar conta

*quando ele não der mais conta

*não dá tbm pra gente

Gaby diz:

*verdade

Antonio diz:

*mas "esse dar" conta é dentro da nossa persepctiva não dele.

*ele recebe essa conta.

Gaby diz:

*Sera que não poderia se mais simplicado ou perderia a graça?

*Ai Antonio essas questoes vem me atormentando tanto

*aparece que vc advinhou né?

Antonio diz:

*mas ataca todo mundo

*parece tempo de...

*como tem hora que todo mundo ta gripado

*tem hora que todo mundo entra em crise alergica

*tem momento que o tempo muda e ataca a gente

*muda a cor

Gaby diz:

*Verdade

*As viroses são varias

*rs

Antonio diz:

*ontem eu andando na rua um carra estacionou meu forte perto de mim...

*achei estranho

*a moça parou e começou a chorar.

*nem baixar os vidros pra ela chorar em solidão houve o tempo

*eu fiquei sem reação

*pq ela parou bem na minha frente

*o namorado ligou e terminou com ela por telefone, com ela dirigindo

Gaby diz:

*Que triste

Antonio diz:

**ontem eu andando na rua e um CARRO estacionou BEM forte.

*daí...ela apenas chorava e dizia, como pode isso?

*como pode?

*pensei meu Deus isso é muito triste.

*fui radical: pensei num chiclete que alguém usa...usa até perder o gosto ( o gosto novamente digo, da perspectiva de quem mastiga) lembra?

*pra mim não dá mais.

Gaby diz:

*sim claro

Antonio diz:

*não guento mais te mastigar

*daí olha que coisa que me veio agora...

*ou vc engoli aquilo

*ou cospe!

*gente!

*é isso!

*ficar mastigando aquilo até quando?

Gaby diz:

*Até quando? Verdade

Antonio diz:

*o mundo dispõe de milhares de chicletes novos de vários sabores ...

*volto a falar gaybis...somos humanos

*precisamos ser competentes

*para amar

Gaby diz:

*Eu tenho varais teorias

Antonio diz:

*é isso, eu apenas vou levando...

Gaby diz:

*Eu simplesmente sou totalmente vitima de Holywood (se assim que se escreve)

*Vivi sempre querendo vivenciar as mesmas cenas

*as mesma trilha sonora

*O mesmo cara

*o mesmo cenario

*e sofro pq tudo e muito hollywoodiano

*Acho que varias pessoas sofrem disso

*Muito antes dos sonhos feitos

*desses sonhos enlatados

*Eramos mais tolerantes

*Viviamos os nossos proprios roteiros

*eramos mais tolerantes

Antonio diz:

*que bom papo

*assim logo cedo

Gaby diz:

*Precisa disso

*vc me entende profundamente

*profundamente

*precisava disso

*Esses dias minha mãe me disse uma coisa muito sabia

Antonio diz:

*o que foi?

Gaby diz:

*Que somos muito covardes

*Que na época dela ninguém ia embora na 1ª briga

*tinha a necessidade de ficar

*nenhuma mulher deixava o lar

*ate porque não tinha p onde ir

*a independência nos da o direito de sair e bater a porta

*e o homem de virar e deixar seu lar

*fiquei pensando nisso

Antonio diz:

*Porra gabi vc vai me achar um xarope mas eu vou soltar isso em vc

*é aquela história do mergulho de cabeça

Gaby diz:

*solta

Antonio diz:

*antes o povo mergulhava mesmo

Gaby diz:

*verdade

Antonio diz:

*um pulo na relação

*ia lá embaixo descobrir as maravilhas

*no fundo sempre tem um mistério

*coisas novas pra se descobrir da pessoa

Gaby diz:

*Exatamente

Antonio diz:

*coração nem tem fundo, é tão raso, mas a gente sempre acha o fundo

*no fundo do fundo

*só que o que vem acontecendo

*tem gente que não larga da beira , da borda

*fica ali com medo de se soltar

*outros nem entram

*já tem medo ate de entrar na água

*relação precisa ir a fundo

*e a paciência gente

*GABI ISSO TUDO PARTE DO SISTEMA+ NÓS

*o que o mundo tem feito da gente pq somos produtos dele

*tudo muito rápido

*ipad

*ipod

*wireless

*as tribos de hoje

Gaby diz:

*Penso como ja dizia a sabia Clarice

*estamos todos cheios de urgencias

*essas urgencias não nos permite aprofundar

*o que é urgente não tem tempo

*Ela ja sabia disso

*dessas urgencias

*Sou composta por urgências

minhas alegrias são intensas

minhas tristezas, absolutas.

Me entupo de ausências,

me esvazio de excessos.

Eu não caibo no estreito,

eu só vivo nos extremos.

Eu caminho, desequilibrada,

em cima de uma linha tênue

entre a lucidez e a loucura.

De ter amigos eu gosto

porque preciso de ajuda pra sentir,

embora quem se relacione comigo

saiba que é por conta-própria e auto-risco.

O que tenho de mais obscuro,

é o que me ilumina.

E a minha lucidez é que é perigosa ...

Se eu pudesse me resumir,

diria que sou irremediável!

*Essa é a pura verdade

Antonio diz:
*quando entra clarice dou uma pausa
*pra mim encerra o assunto.
*ela me violenta demais Gabi, é isso.
Gaby diz:
*Eu senti isso