segunda-feira, 25 de julho de 2011

A ni mar


Nem um bom samba
me animaria hoje.
Nem um bom café
me despertaria hoje.
Desejo de ver o mar
e por hoje mais nada...
Ir ao mar e mais nada...
Ouvir o mar e mais nada...
O nada é tudo
Profundo,
puro azul claro
e eu escuro






*foto Marcos Paulo Brito Duarte
http://www.flickr.com/photos/marcosduarte

De leve releve e revele

Não há razão para buscar o sofrimento,mas, quando ele surgi na minha frente encaro de frente e com a cabeça erguida. Estou a caminho do trabalho passando pela orla de Salvador. Segunda feira sem esperança. Parei um pouco de ouvir Chico (ando numa obsessão por ele) pra ficar apenas pensando e observando o mar em toda extensão de orla. Ontem tentei encontrar nos livros da estante algo para me tirar deste estado que encontro: ansioso. Eu penso no meu caminho de amanhã, como diz Chico que seja um caminho bom e o meu coração parece que perdeu um pedaço. Ontem tentei não sentir o buraco que Antônio Mário e Jouber deixaram aqui em Salvador. Ontem mesmo senti saudade e uma vontade de conversar mais com eles, de perguntar coisas sobre a vida e os sonhos, nem deu tempo. Mas ficou isso: pura saudade. Ontem mesmo conclui uma das tantas "conversas deboches" rápidas que tive com Antônio Mário conclui que: não existe ninguém exato e nem feliz. Ontem tentei falar com Lucas Moraes e o mesmo me pareceu bem chateado e confuso. Melhor deixa-lo sozinho, pra deixar isso passar. Ontem passei uma tarde inteira presente e ausente com Amanda aqui em casa. Então, isso tudo foi ontem, espero que a partir de hoje as coisas se resolvam e que eu possa voltar a ter a leveza das coisas numa paz de quem senta pra apenas ver o mar e não pensa em mais nada...

Ela terminou o namoro - agora caminhos diferentes.


Boa noite.
Um banho.
Uma cama.
Uma prece.
Bom é relaxar
Descansar...
Que o dia raia
E acontece.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Caixa vazia.

Quem é André? Como pode falar tanto em uma pessoa e essa pessoa ser tão importante que ocupou de toda a nossa tarde?
Foi o que comecei a pensar ontem, quando cheguei em casa, exausto, e decidi arrumar uma montanha de livros na estante, para ter o prazer de ver aquele amontoado de teorias em outra dimensão. Tirar os livros da estante e desorganizá-los por títulos me fez ver e ter vontade de desorganizar mais e mais a minha casa, numa pretensiosa intenção de fazer tudo combinar com minha nova condição: confuso.

É estranho pensar que passei uma tarde com alguém e de uma hora para outra todos esses pensamentos estão suspensos, literalmente no ar. Não sei o que fazer. Poderia simplesmente substituir esses pensamentos pela dor que resiste em meu cotovelo, transferi-los para outra coisa, outra pessoa. Mas não sei se estou totalmente disposto a fazer isso. Acho arriscado demais. E daí vem às dúvidas, o medo...



Não posso escrever um discurso cheio de palavras vazias, mas o fato é que na tarde de ontem senti algo inesperado: cada frase, melodia cantarolada, o gosto do café e o doce frio que fazia naquele espaço me encheu de uma felicidade plena. Felicidade de estar contigo e por mais estranho que possa parecer estar completamente acolhido pelo diálogo e pelas coisas que você quis me fazer perceber ali. Guardarei o gosto daquele nosso café, amargo, quente e forte e com certeza, carregado de boas lembranças.

Mar

Respiro praia e saudosismo logo cedo nessa manhã de sexta. Ouço sambas de Noel, cantarolo bem baixinho a beira mar, peço licença e então mergulho. No exato momento em que mergulhei abri meus olhos debaixo d’água e comecei a pensar em Clarice Lispector. Nessa briga de mistério e beleza que ela percebe em tudo. Não tive vontade de subir a superfície para pegar o ar. Estava tranqüilo ali, meu pensamento estava cheio de Clarice. Um mar tão cheio de sol. Vendo peixinhos e conchas, batendo no fundo pra pegar areia. A água estava clara como o meu pensamento. Eu sou feito pra caber no mar e isso nunca vai ter fim...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A surpresa do inesperado.

Aconteceu um milagre aqui em casa, sozinho e em silencio eis que entra um canário na minha cozinha. Fiquei calado, não havia o que falar. Esse tipo de invasão é a única que se permite. Eu ficava olhando pra ele, meio sem jeito e ele olhando estranhamente para mim. Fiquei quieto e ele respondia da mesma maneira. Enfim foi uma visita inesperada, sem pedir licença tendo todas as licenças do mundo pra entrar no meu universo. Ele não veio comer nada, não veio por engano por se postar bem tranqüilo sobre a mesa e nossa comunicação estava toda no olhar. Ele me olhava com certa intimidade e sem dizer nada (porque também não assustaria se ele falasse) , foi e me deixou feliz. Os humanos podiam aprender a fazer visitas assim...

Em silêncio com uma dor de sertão na alma.