domingo, 26 de fevereiro de 2012

O tombo da palavra.

Uma palavra reta.
Uma palavra torta.
Uma frase certa...
A face é que importa.

Uma palavra quadrada.
Fechada, enraizada.
Uma palavra redonda.
Gorda, cheia de onda.

Preconceitos linguísticos.
Guetos e vícios
Incluí
Lichos
Excluí
Bixus
Raps e sambas
Sem Chico
Nem Vinícius
Sem bossa
Assim meio fossa.
Uma palavra bêbada
Rondando a cidade
Até cair.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Bloco do eu sozinho

Segunda feira de carnaval, mais um dia para colocar o bloco na rua. Muito cansado estava,então o meu único desejo foi o de ficar no silencio do lar, ouvindo músicas (que não fossem de carnaval) e me distanciar da folia.

Mais tarde saí para comprar um doritos de pimenta + uma latinha de cerveja + cigarros. Sei que parece estranho comprar cigarros, até porque não fumo, contudo eu quis fumar um cigarro e caminhar sem rumo pelas ruas do bairro. Com toda tensão de ser assaltado (pois hoje em dia caminhar pela cidade sozinho é correr o risco) estava com o olhar livre para as coisas e sinceramente a fim de me perder na linha “saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou”. Caminhar e encontrar tudo novo na cidade...

Deparei com um idoso levando o seu Pit Bull para passear, ofertei um cigarro ao guardador de carro, encontrei uma barata desmotivada na calçada e não encontrava um lixo para jogar o saquinho de Doritos + a latinha de cerveja. Esqueci do medo e me pus com olhos de recém nascido pelo bairro afora. Pensei e dei risadas se um dia minha mãe souber que eu estava andando sozinho no meio da noite e fumando um cigarro. Logo eu que suplicava a ela que deixasse de fumar. Eu que nunca suportei fumaça de cigarro no ar...Em toda droga existe a pitada do prazer. E o prazer que o beija flor encontra no necta da flor é o mesmo que o urubu encontra em sua carniça. Custei para entender isso na vida. Mas o gostoso disso tudo é a estranha sensação de liberdade. Todo mundo no fundo, no fundo quer mesmo é ser livre, ainda que esteja acompanhado, assim como o céu e o mar. Tenho em mim uma estranha mania de gostar de longe, de amar algumas pessoas me mantendo afastadas delas.

É um onda que nasce na intenção de tocar o céu... (pensei nisso enquanto caminhava)

Pensei no encontro do céu com o mar. Pensei naquele horizonte todo de azul que se vê lá frente. Parece que estão felizes e juntos, de longe se vê, tem se a certeza de um encontro fantástico, feliz, que foram feitos um para o outro. Mas agonia de um é não poder tocar o outro lembrei o dia em que recebi essa frase de presente de um amigo mineiro: A agonia do céu é não poder tocar o mar (que parece ser de Marcelo Jeneci, não sei). Um refletido no outro, a nuvem de um é a onda do outro, tempestade do céu é fúria no mar...amar é meio isso, não? Não se pode comparar céu e mar, a desordem e a infelicidade parte da comparação. Não poderá haver a compulsão de um querer ser o que outro quer.

Ar + mar = amar/arma
Não pode faltar ar e também não pode faltar tesão. Relacionar é ser um pouco artesão, para criar excitação... Existe várias formas de encostar /descobrir o corpo do outro do que a nossa capacidade intelectual imagina...

Voltei pra casa com uma vontade louca de escrever, voltei louco pra tomar um café fumando mais outro cigarro. Fiquei na varanda pensando exatamente nesse instante solitário nosso, de pensar (de longe) na família, nos amigos e nessa roda viva que é a vida. Ontem estava feliz no meio da multidão, dançando e bebendo em pleno o carnaval de Salvador e hoje estou bem mais feliz sozinho. Assim no silêncio, assim sem nada de extraordinário acontecendo, assim bem simples. Eu sou uma criança pobre vivendo num país de rico, me basta o simples, um sorriso, a gentileza, um abraço e o seu sorriso.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Aponta pra fé e rema



No canto da cama uma revista com a foto do Chico Buarque e a taça do vinho de ontem, ainda, ao lado. Acordei morrendo de dor de cabeça e feliz no meio do escuro do quarto.

Sem força até pra atender o celular que tocou...

Assisti novamente o filme Lei do Desejo de Almodôvar isso tudo pra eu repensar sobre o amor. Bem cedo tentando entender essa força do gostar. Isso que ele retrata tão forte no meio de uma trilha sonora e um roteiro delirante.

Acordei ouvindo novamente "wake up alone" e com uma vontade de chorar, mas insisto em dizer que eu tava feliz. Quando entrei no banheiro achei que ali tava tão bom, os azulejos brancos, as toalhas verdes penduradas, o cesto com uma revista com Marisa Monte na capa e claro, o cheiro perfumado dos potes de cremes abertos que ficaram sobre a pia. A música tocava alto pela casa e meu coração parecia que iria parar. Bom seria se parasse bem nesse instante bom de vida. O instante em que a gente se sente bobo e feliz. Pensei que não haveria carnaval pra mim se ficasse com essa coisa presa . Esse sentimento de buscar o amor de qualquer jeito. Amor não se pega, não se leva, nem se eleva acho que  de certo modo releva...

Peguei o computador e fiquei sentado de cueca branca no chão da sala, repetindo sem parar a mesma música e me deixando ser tomado por esse sentimento que não sabia o que era...

Aponta pra fé e rema... essa foi a frase que encontrei na página de um desconhecido e nela venho me apoiando até agora,assim do nada.

Eu vou tentar ser forte pra nós dois,ok?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Declaração de amor.

Eu desejo mar, flores e Chico Buarque para você!

Amarga tolice

Eu quis vir aqui relatar um fato que me ocorreu agora a pouco. Um milagre em forma de choro, não era um choro triste não...era um choro muito bonito acompanhado de uma bela canção. Foi um choro escondido, no escuro do meu quarto. Chorava e ria ao mesmo tempo, isso por ter conversado contigo hoje e entendido que a nossa conversa foi proveitosa e que, ao que parece, amadurecemos. Por saber que você está bem e feliz,por saber que ainda gosta de mim, por saber que ainda gosta de mim mesmo eu sendo chato assim. É, achei tudo isso muito forte e muito autêntico da tua parte em se mostrar pra mim. Cheguei a ficar abafado de tanto choro. Corri para abrir a janela, arregacei as cortinas e o meu peito em busca de ar e me deparei com a mais grandiosa lua no céu. Nunca vi um céu tão bonito assim e sei que houve tantas outras noites de luar muito mais maravilhosa que esta, mas foi exatamente nesta que me emocionei.

Acho que cada um deve respirar um pouco e fazer com isso a sua pequena fuga, ainda que seja ler livros diferentes e assistir a espetáculos um sem a companhia do outro. É amargo saber que bom seria com você por perto, que cada livro novo fosse compartilhado contigo e que a minha experiência de mundo assim também fosse,mas a distância vem alimentando o nosso amor a maneira que escolhemos viver. Um tanto assim, um longe do outro. Um morrendo no outro nesse mar bobo do tempo.

Me agarro aos instantes que passamos juntos, aquilo que ficou eterno em nós. Ainda que morto lá trás com toda riqueza descritiva das sensações vividas com todos os nossos gestos mais simples com o mar por perto, o vento, a areia, as estrelas, os livros, as músicas, o vinho e a cama....

Uma pena você não saber me conduzir do mesmo modo que me envolve a distância.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Um fim de mar colore o Belo Horizonte




Quando  for embora da Bahia, da minha querida Salvador levarei comigo as ondas do mar que carrego nas costas e as sementes de mar que escondo no bolso da minha alma. Me sinto um rio, ansioso a  largo sorriso querendo encontrar com o mar.

Belo Horizonte é o que se avista mar...

As tardes no museu.

Saudade dos teus olhos
tão cheios de paz
tão cheios de luzes e cores
tão cheios de músicas.

Saudade das tardes
tão cheias de prosa
tão cheias de silêncio
leve se perdendo
se esvaindo ...
Xícaras de café.

Pra ver o Ilê tocar

Acordei mudo, sem muita energia como de costume. Quem me conhece sabe que sofro desse mal de não conseguir falar/pensar nas primeiras horas do dia. Apenas consigo ouvir músicas e escrever como estou fazendo agora. Escrevo antes mesmo de beber água, essa é minha sede maior. A escrita desce autêntica,solta, como um alivio de uma dor.

Fiz café,sentei na bertoia da sala e fiquei fixamente olhando para os livros da estante, sem pensar olho sem ver para os livros.

Hoje é domingo. Hoje tem o ensaio do Ilê, que eu gosto tanto. Um lugar extremamente forte de significado pra mim é a Senzala do Barro Preto, cheio de expressão,cores e movimentos. As batidas dos tambores me colocam pra nascer e morrer o tempo todo. É espetacular ver o Ilê tocar. Adoro ver os negros dançando é tão lindo de se ver.

Para o preto mais inteligente que conheci

Faltou atenção para perceber a fineza dos gestos. Faltou cuidado em se atentar que queríamos uma noite leve e doce com você.

A gente queria sair para tomar umas cervejas, comer algo, rir alto, rir baixo, falar bobagens sobre tudo e achar graça em tudo.

Você queria atenção e perdeu toda a sua elegância... a elegância em cada gesto.

Sem nome pra sentir.

Estava ali no largo da Dinha, com tanta alegria e tão feliz de estar rodeado de amigos, estava muito confortável na palavra, nos gestos até você aparecer. Até você aparecer e não ter ido lá falar comigo. Roubou sem perceber todos os meus sentimentos da noite e me deixou vazio de tudo. Não sei explicar o que aconteceu comigo ontem, eu que nunca precisei da admiração, do amor e muito menos da inveja alheia me deixei ser enlaçado por um sentimento que até agora não sei dar nome.

Madrugada feliz

Preciso encontrar minha identidade antes da minha morte. Fiquei pensando hoje nesta frase que elaborei hoje enquanto andava de ônibus e me perdia pela cidade.

Acordei as duas da manhã com uma necessidade dolorida de escrever, de deixar um registro do meu encontro com a escrita de Rubem Braga. Encontrei-me em seus textos e achei tão grandioso as coisas que ele escreve que me deu mais vontade em escrever também. Deus foi generoso comigo e agora continua sendo com esse doce barulho de chuva que cai sobre a madrugada. Estar trancado no quarto, com meus segredos, com minhas falas em voz alta, com meu riso, com esses livros de Rubem sobre a cama é o que há de mais gostoso na vida. Privacidade não compartilhada.

Nada melhor que barulho de chuva pra ninar o sono, essa vontade de ouvir Chico que me surpreende agora.

Não me leve a mal, me leve apenas pra andar a toa por aí...

* A crônica “sobre o amor, etc” de Rubem Braga foi a coisa mais bonita que já li na vida.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O instante.

Engraçado como as vezes fico preso dentro de um romance,dentro de uma canção e até mesmo dentro daquele instante em que tomava café no Fran’s com você.