quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Estação da Lapa Salvador

Eu quero escrever um texto inteiro sobre a Estação da Lapa [Em Salvador]. Mas depois pensei, pra quê? Pra quem? A quem interessa saber sobre aquele lugar, sujo, super habitado por pessoas que vão e vem no frenesi louco, todo mundo correndo pra chegar em algum lugar, correndo de alguém ,gritos de camelôs, gritos de assaltos, correria por conta dos assaltos, alguém mijando, alguém em qualquer lugar mijando, como se não bastasse, alguém cagando,alguém em qualquer lugar, a frente de qualquer um cagando...Cenas de sexo explicito no banheiro, ninguém vê, e quem vê finge que não ta vendo... Barracas de feirantes no meio do caminho, no chão,no corrimão, na contra mão... “havia uma barraca de um feirante no meio do caminho...no meio de tantos caminhos na Lapa há várias barracas de feirantes...Drummond não veria poesia,lá não tem espaço pra poesia, talvez Sebastião Salgado adoraria realizar umas fotos lá, talvez um Bukoviski criaria um romance de um bêbado louco por aquelas áreas, um diretor de filme trash adoraria aquilo tudo. Mas a estação da Lapa não é ficção é crua realidade. Tem lixo, tem cheiro ruim, tem ar de coisa podre tem a miséria da cidade estampada na tua cara, se a vida te levar pro inferno, com certeza o caminho passa pela estação da Lapa em Salvador. 

                Se por lá passasse a comitiva com Talcot Parsons, Write Mills, Jürgen Habermas, Herbert Spencer, Tom Bottomore, Erich Fromm, Herbert Marcuse, Theodor Adorno, Georg Lukács, Antônio Gramsci, Florestan Fernandes, Pierre Bourdieu, Michael Löwy com certeza todos iam escrever um fabuloso livro. Um livro de fazer o mundo parar e também chamaria a atenção das autoridades que regem essa cidade, que pouco transformam a vida dos soteropolitanos. Eu tenho vergonha de pisar ali e tentar dentro da minha capacidade de criação fazer brotar beleza, poesia e irradiação para o meu dia. Meus  poderes transformadores ficam nulos, diante da real situação daquele lugar. Daí eu subo as escadarias [são 75 degraus] e vou como se pagasse  uma penitencia pedindo aos Deuses e Orixas que tomem conta e possa mudar a dura e nua realidade daquele espaço. Meu texto não valerá de nada. Quem sou eu pra falar alguma coisa? A população não sabe nem quem eu sou. Veja bem: o povo  não faz a mais vaga idéia de quem eu sou. Se eu morrer atropelado por um caminhão amanhã, eles não hesitarão em continuar seguindo. Comigo, sem migo, não importa, não interessa, nada muda.


Um dia ainda escrevo sobre aquilo lá. Isso aqui é apenas um desabafo desestruturado. Aos trabalhadores que encontraram ali a forma de fazer o seu dinheiro o meu perdão. A intenção não é destruir a imagem e sim fortalecer, regularizar para o bem de todos. Eu me perdi, não quero ofender ninguém...nem sei mais o que falar... mas eu volto com um texto melhor. Prometo.

2 comentários:

Diego Magalhães disse...

Existe uma grande decepção com toda Salvador. É triste ver a cidade abandonada por todos. O que me deixa mais triste ainda é a sensação de impotência diante dessa realidade. Como mudar isso?

Parabéns pelo belíssimo texto! Compartilho minha indignação e a sua mensagem.

Adrielle Gonçalves disse...

BElissimo texto!